sexta-feira, 16 de dezembro de 2011



Se queres saber-me sou mulher de muitas delicadezas e mistérios.
Sou romantica, apaixonada,adulta mas ás vezes infantil, dependente do amor, da paixão...
Disfarçadamente ingênua , sagaz, viva, inteligente(às vezes)
Digo o que penso sem medo de obvias interpretações...Mas as interpretações erradas me incomodam...rsss
Sou doce e ao mesmo tempo agressiva quando ofendida,
odeio a mentira,mas minto às vezes (rsrsrs), a hipocresia, a grosseria, a prepotencia, a soberba.
Reconheço meus erros que são muitos, mas também sei de minhas virtudes!
Minha palavra chave é "AMOR"
Como vês sou uma "adorável" e comum criatura de Deus(rsrsrsr) Modestaaaaaa!

Alfabetos de fumo


O poeta não é a estrela da manhã
espargindo luz sobre o mundo
nem o mensageiro branco
que cruza os caminhos do pó e da insónia
carregando a boa nova.
Não é o messias apregoado
que navega desertos de perdição
com o facho aceso de todos os milagres
para exorcizar as dores do mundo.
O poeta não veio para salvar ninguém.
É feito do barro que coseu em lume brando
no suor ofegante das fornalhas
onde se molda a litania dos ossos
que rangem por dentro da noite
e do cristal de errantes sonhos
a desenhar na cal baça dos muros
a rima imperfeita de todos os destinos.
O poeta traz no soluço exaltado
a revolta de uma cegueira de sílabas
a abraçar chicotes de ventania
e um tambor de tinta a martelar metáforas
e a dar forma de lágrima
ao sal resignado das palavras
que lhe rebentam entre a espuma das mãos
na luz mortiça dos candeeiros de quarto
onde todas as sombras se congregam
desenhando o sobressalto dos sentidos
acantonados num enredo de raízes.
O poeta busca na métrica sinuosa do silêncio
as palavras que não nasceram ainda,
a alquimia secreta e efémera do verbo
a exorcizar uma agonia de asas trémulas.
Num minucioso ofício de redenção
mergulha na luz oculta dos labirintos
carregando sobre os ombros vergados
um remoinho de existências vencidas
e a caligrafia de uma febre sobressaltada
embutida na miragem fugaz do poema.
O poeta não se deslumbra com as jóias falsas
de uma quimera fabricada no plástico dos moldes
nem com o excesso de luz que desagua
na errância dos caminhos que vestem
o júbilo amordaçado de lúgubres claustros.
Sobre o fundo negro das tormentas
liberta da solidão ofegante das ardósias
a luz dos gritos incontidos
e tudo aquilo que espera para ser dito
no traço hesitante do giz
que sulca o nervo inquieto do verso
cerzindo com o cinzel encrespado dos dedos
a canção dolente das cinzas
nos proscritos alfabetos do fumo.

domingo, 11 de dezembro de 2011

o silêncio é a regra

Fotografia de Mathew Solomon
tomada pela luz
a sala destaca
as vozes
que se calam

o manto elétrico
eterniza
o espanto

o silêncio é a regra
amedrontada da cegueira

o tato identifica
a porta

fechada.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

SEM MÁSCARA







SEM MÁSCARA 

Eu amo a toda gente 
Sem mesmo ter um porque 
Sou assim bem diferente.
Nada posso fazer .

Amo com intensidade 
Gosto e sou linear 
Nâo ando como as ondas do mar ...
Tenho cabeça firme 
Sentimentos tambem 
Não brinco com pessoas 
Elogiando e depois descartando ..

Pessoas são flores delicadas
Perfumadas no jardim de Deus 
Quando as pedras são atiradas 
Me machucam sim ..
Mas vou sempre em frente ...

Amando a TODA gente ...

As asas de Clarice...
Clarice, linda Clarice,
morena menina mulher...
Ela é puro amor...
É a mulher que vive nos meus sonhos,
voando nas asas de uma borboleta...
Vagando entre as flores, e semeando o amor...
Por anda passa, fica o seu cheiro de flor,
com seu leve bater de asas, carrega o meu amor...
Clarice, ah! Doce e amada Clarice,
me leva para as planícies, para te amar,
nas suas asas de cetim...
Clarice chegue logo com o seu amor,
venha no próximo amanhecer,
antes do sol nascer, venha sorrindo pra mim...
Clarice nem pense nisso, em me abandonar...
Como posso viver sem o seu teu amor!...
Como posso viver sem os perfumes,
das suas flores que exalam de ti,
que ficam impregnados em mim...
que trazem em ti, sem o teu amor...
Amor que colheste entre as flores...
Menina morena mulher, que vive viajando,
nas asas da minha imaginação!..

domingo, 23 de outubro de 2011

Berço do amor perene



Ao bem estar de nosso bem
aquém ou além desse viver
por onde a luz vem clarear
conduz à paz nosso querer

Até do esquecimento esqueço
pra num sorriso me lembrar
que do futuro ao começo
transcende a paz o teu olhar

E sendo esse brilho tão intenso
como um diamante facetado
vejo um berço de amor perene
que só é completo do teu lado.

Alguma descrição de você



Você é meu sonho sonhado
a paz do meu abrigo
perdão do meu pecado
castigo do meu erro

Prisão e meu desterro
visão clara e precisa
às vezes, tempestade
às vezes, fina brisa...

Um cálice de vinho
tingindo o meu desejo
o som da nota tônica
pulsando ao meu arpejo

Porção da minha gula
fusão de unha e carne
minha loucura amena
a paz que me invade.

em pacto



Não compactuo com intrigas
sejam de quais espécies forem
elas não foram criadas agora
vêm desde que o homem existe
e nunca culminaram em benefício algum

Centenas de anos antes de Cristo
as intrigas provocavam ruínas.
Nos templos dos faraós a fofoca corria à solta
talvez por isso, reinos inteiros foram destruídos

Se o homem quer fofocar, quem sou eu pra consertar?
Mas tenho o direito de não compactuar com elas
como não sou escola do mundo e nem pretendo
faço do silêncio meu direito e minha fala maior .

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Mistério D'Amor

Um mistério que trago dentro em mim
Ajuda-me, minh’alma a descobrir…
É um mistério de sonho e de luar
Que ora me faz chorar, ora sorrir!

Viemos tanto tempo tão amigos!
E sem que o teu olhar puro toldasse
A pureza do meu. E sem que um beijo
As nossas bocas rubras desfolhasse!

Mas um dia, uma tarde… houve um fulgor,
Um olhar que brilhou… e mansamente…
Ai, dize ó meu encanto, meu amor:

Porque foi que somente nessa tarde
Nos olhamos assim tão docemente
Num grande olhar d’amor e de saudade?!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

CAOS


Não sei se rasgo de vez
ou se costuro;
se desmancho tudo
ou se decoro;
se aumento o espaço
ou se levanto o muro.
Desajuste.
Se eu tirar a goma,
a folha entorta
mas se eu a deixar,
é folha morta;
se eu limpar o trilho,
fica liso
mas se deixar ficar, perde-se o brilho.
Um pouco de emoção, um pouco de loucura.
A roda passa, a vida dura
até o dia em que a poesia se desmanche
e de uma vez para sempre a música se canse.
A pedra do chão então se abre ao meio
e vira-se recheio de uma terra em transe.


As Rosas


Rosas que desabrochais,
Como os primeiros amores,
Aos suaves resplendores
Matinais;

Em vão ostentais, em vão,
A vossa graça suprema;
De pouco vale; é o diadema
Da ilusão.

Em vão encheis de aroma o ar da tarde;
Em vão abris o seio úmido e fresco
Do sol nascente aos beijos amorosos;
Em vão ornais a fronte à meiga virgem;
Em vão, como penhor de puro afeto,
Como um elo das almas,
Passais do seio amante ao seio amante;
Lá bate a hora infausta
Em que é força morrer; as folhas lindas
Perdem o viço da manhã primeira,
As graças e o perfume.
Rosas que sois então? – Restos perdidos,
Folhas mortas que o tempo esquece, e espalha
Brisa do inverno ou mão indiferente.

Tal é o vosso destino,
Ó filhas da natureza;
Em que vos pese à beleza,
Pereceis;
Mas, não... Se a mão de um poeta
Vos cultiva agora, ó rosas,
Mais vivas, mais jubilosas,
Floresceis.



"PRIMAVERAS I"


A primavera é a estação dos risos,
Deus fita o mundo com celeste afago,
Tremem as folhas e palpita o lago
Da brisa louca aos amorosos frisos.

Na primavera tudo é viço e gala,
Trinam as aves a canção de amores,
E doce e bela no tapiz das flores
Melhor perfume a violeta exala.

Na primavera tudo é riso e festa,
Brotam aromas do vergel florido,
E o ramo verde de manhã colhido
Enfeita a fronte da aldeã modesta.

A natureza se desperta rindo,
Um hino imenso a criação modula,
Canta a calhandra, a juriti arrula,
O mar é calmo porque o céu é lindo.

Alegre e verde se balança o galho,
Suspira a fonte na linguagem meiga,
Murmura a brisa: - Como é linda a veiga!
Responde a rosa: - Como é doce o orvalho!


Primavera


Primavera gentil dos meus amores,
- Arca cerúlea de ilusões etéreas,
Chova-te o Céu cintilações sidéreas
E a terra chova no teu seio flores!

Esplende, Primavera, os teus fulgores,
Na auréola azul, dos dias teus risonhos,
Tu que sorveste o fel das minhas dores
E me trouxeste o néctar dos teus sonhos!

Cedo virá, porém, o triste outono,
Os dias voltarão a ser tristonhos
E tu hás de dormir o eterno sono,

Num sepulcro de rosas e de flores,
Arca sagrada de cerúleos sonhos,
Primavera gentil dos meus amores!


Este é o Prólogo

Deixaria neste livro

toda a minha alma.

este livro que viu

as paisagens comigo

e viveu horas santas.

Que pena dos livros

que nos enchem as mãos

de rosas e de estrelas

e lentamente passam !

Que tristeza tão funda

é olhar os retábulos

de dores e de penas

que um coração levanta !

Ver passar os espectros

de vida que se apagam,

ver o homem desnudo

em Pégaso sem asas,

ver a vida e a morte,

a síntese do mundo,

que em espaços profundos

se olham e se abraçam.

Um livro de poesias

é o outono morto:

os versos são as folhas

negras em terras brancas,

e a voz que os lê

é o sopro do vento

que lhes incute nos peitos

- entranháveis distâncias.

O poeta é uma árvore

com frutos de tristeza

e com folhas murchas

de chorar o que ama.

O poeta é o médium

da Natureza

que explica sua grandeza

por meio de palavras.

O poeta compreende

todo o incompreensível

e as coisas que se odeiam,

ele, amigas as chamas.

Sabe que as veredas

são todas impossíveis,

e por isso de noite

vai por elas com calma.

Nos livros de versos,

entre rosas de sangue,

vão passando as tristes

e eternas caravanas

que fizeram ao poeta

quando chora nas tardes,

rodeado e cingido

por seus próprios fantasmas.

Poesia é amargura,

mel celeste que emana

de um favo invisível

que as almas fabricam.

Poesia é o impossível

feito possível. Harpa

que tem em vez de cordas

corações e chamas.

Poesia é a vida

que cruzamos com ânsia,

esperando o que leva

sem rumo a nossa barca.

Livros doces de versos

sãos os astros que passam

pelo silêncio mudo

para o reino do Nada,

escrevendo no céu

suas estrofes de prata.

Oh ! que penas tão fundas

e nunca remediadas,

as vozes dolorosas

que os poetas cantam !

Deixaria neste livro

toda a minha alma...