sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A neve é linda, Jean Richepin

(1851-1917) do coração, de neve
***
A neve é linda. O pálida, fria oh, oh virgem tranquila
Olá! O gelo é o seu carro puxado por ursos,
E o céu escurecido por trás em sua rota
Um dossel de cetim amarelo e vela de cor branca.

Olá! no seu casaco forrado com sarja branca

Em sua saia de algodão flutuante e veludo
Que se espalha ao Imaculado pregas grandes e pesados
O mundo desapareceu. Nada de vida emerge.

Contours alvoroços envolto dormindo,

Tudo desaparece e se cala sobre o espesso tapete.
Neva, a dormir neve, neve

Silenciosa, a neve durante a noite.

Tomb cobre a vida atroz e sacrílego,
O t'effeuilles ler calmamente misteriosa !

CONTRA QUEM LUTAMOS.



Ele já tinha todas as rugas do tempo
quando o encontrei pela primeira vez.
Queixava-se de que tinha muito a fazer.

Perguntei-lhe como era possível que em
sua solidão, tivesse tanto trabalho...

- Tenho que domar dois falcões, treinar
duas águias, manter quietos dois coelhos,
vigiar uma serpente, carregar um asno e
dominar um leão - disse ele.

- Não vejo nenhum animal perto do local
onde vives.
Onde eles estão?
Ele então explicou:
- Estes animais, todos os Homens tem!

- Os dois falcões se lançam sobre tudo o
que aparece, seja bom ou mau.
Tenho que domá-los para que se fixem
sobre uma boa presa.
São meus olhos.

- As duas águias, ferem e destroçam com
suas garras.
Tenho que treiná-las para que sejam úteis
e ajudem sem ferir.
São as minhas mãos!

- Os dois coelhos, querem ir aonde lhes
agrada.
Fugindo dos demais e esquivando-se das
dificuldades...
Tenho que ensinar-lhes a ficarem quietos,
mesmo que seja penoso, problemático ou
desagradável.
São meus pés!

- O mais difícil é vigiar a serpente apesar
de estar presa numa jaula de 32 barras,
mal se abre a jaula, está sempre pronta
para morder e envenenar os que a rodeiam,
se não a vigio de perto, causa danos.
É a minha língua!

- O burro é muito obstinado, não quer
cumprir com suas obrigações.
Alega estar cansado e se recusa a transportar
a carga de cada dia.
É meu corpo!

- Finalmente, preciso dominar o leão...
Ele sempre quer ser o rei, o mais importante.
É vaidoso e orgulhoso.
É o meu coração!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010


VALORES ÍNTIMOS

Muita gente julga ingênuo qualquer interesse pela aquisição dos valores íntimos.

Supõe-se, de modo geral, que a bolsa farta e o celeiro rico resolvem os problemas da vida.

Entretanto binômio corpo-alma reclama atenções idênticas, tanto para um quanto para o outro.

Para a sustentação do corpo bastam as previsões necessárias, na formação de recursos básicos de manutenção, como sejam o tratamento conveniente das fontes, a alimentação balanceada, a roupa nas condições precisas, o ambiente higiênico e a medicina segura.
Para isso, a evolução do comércio criou facilidades ideais, desde o pequeno empório aos grandes supermercados em que se pode adquirir qualquer recurso imprescindível à garantia da existência física.

Nos domínios da alma, porém, outros são os poderes aquisitivos.

Ninguém compra paciência em pratos de balança, nem encomenda compreensão aos metros.

Não há financiamento que consiga efetuar leilões de paz e nem existe fortuna suscetível de pagar a posse da felicidade, embora o dinheiro seja sempre respeitável pelas condições de trabalho e reconforto que é capaz de criar.

Observemos isso despretensiosamente, e atingiremos considerações importantes.

As liberalidades do sexo não constroem o amor.

As máquinas ganham tempo, mas nem sempre oferecem tranqüilidade e segurança.

As maravilhas do rádio e da televisão reúnem povos, de imediato, no campo informativo, contudo, não irmanam os corações na fraternidade, conquanto as criaturas, em maioria, estejam fatigadas de guerra e ódio.

A ciência realiza prodígios, em benefício do próprio corpo, mas nada pode fazer para erradicar o complexo de culpa na consciência do homem, embora, em muitas ocasiões, possa transitoriamente dopá-la com agentes químicos de efeito superficial.

Anotemos tudo isso e reconheçamos que para a estruturação dos valores íntimos não existem câmbio ou sistema monetário, capazes de favorecê-la, de vez que a edificação de semelhantes bênçãos no espírito, nasce da sublimação interior que é fruto do trabalho laborioso de cada um.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Vênus a 6º de Escorpião - Pureza 3




Símbolo do dia : A febre do ouro
SC 06. De um lado um jardim bem distribuído, bem cultivado, florido; de outro, um jardim abandonado, com sulcos de erosão, cuja cerca está arrancada e no qual um asno com bridão, mas em liberdade, escoiceia, fazendo voar a terra e os cascalhos. 
ou - Um asno com bridão.


Um lado do jardim encontra-se abandonado, indicando que precisa de cuidado e transformação . O milagre pode acontecer se houver  febre pelo ouro alquímico , ou seja a busca incansável do  autoconhecimento e desenvolvimento de virtudes internas. Assim, aos poucos o milagre vai acontecendo, e todo o jardim se torna cultivado e florido.


Vênus passou por mesmo ponto em 29/10/10. 


Hoje é sexta-feira, dia de Vênus, regente de Touro, de Libra e da Sefira Nestsach
Vênus em Escorpião, Mercúrio/Marte/Plutão em Capricórnio.
Mercúrio , em movimento retrógrado, até 30/12/10.

Vênus não se relaciona bem no misterioso e perigoso mundo dos Escorpiões... Aqui tudo é muito intenso e o estado de alerta é constante. Uma surpresa, aqui, pode ser fatal! E por isso lança mão da sedução, do encantamento, das poções  de amor, do amor físico para permanecer no controle. A adoradora de Plutão recebe o apoio de seu Mestre, de Mercúrio e Marte todos peregrinando em Capricórnio. Com este apoio a musa se utiliza de belas palavras para lutar pelas coisas que ama com todo magnetismo erótico intensificado por Plutão.


Clique na imagem para ampliá-la

Na Árvore da Vida, Vênus se encontra em Guevurah, a casa de Marte. A guerreira do amor, com severidade é favorável a utilizar a força na justiça . Para alcançar o equilíbrio, a sedutora legisladora precisa se transformar , eliminar todo ressentimento  e  desenvolver humildade , evitando, assim,  julgamentos e criticas ácidas. Para sentir paz , Vênus pode invocar os anjos Serafins que defendem contra os inimigos externos e/ou realizar uma ação nobre em segredo.

Escorpianos e Capricornianos do primeiro decanato : o momento é de transformação interior. Não deixe de invocar os Serafins para viver o processo com tranquilidade.

 O grau de transformação pessoal corresponde diretamente ao nível de nossa capacidade de realizar milagres.  Se você não está atraindo milagres, provavelmente é porque continua a mesma pessoa de um ou dois anos atrás.  Não se preocupe – o ato de ler este texto está colocando em ação o processo de mudança neste mesmo instante.

Um excelente dia a todos.

O que é o espaço?


O que é o espaço
senão o intervalo
por onde
o pensamento desliza
imaginando imagens?

O biombo ritual da invenção
oculta o espaço intermédio
o interstício
onde a percepção se refracta

Pelas imagens
entramos em diálogo
com o indizível.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010


Lisboa é uma gaja boa...

... e vaidosa.

Cheia de curvas. Cheia de miradouros para se mirar, num jogo de espelhos narcisista.
O Tejo é um gajo vadio, com muita lábia e temperamental. Tão depressa parece um lago ou um rio muito certinho como o Sena ou o Tamisa, como logo se irrita e agita os pobres 'cacilheiros' que cobiçam a Cidade que protege.
Lisboa é também generosa, dá conversa a todos; Cristãos novos, mouros, celtas, viriatos, portucalenses...
Lisboa é uma bela actriz favorecida pela luz, que lhe disfarça as rugas. Não tem glamour nem griffe, mas tem muito mimo, feito beicinho, e uma falsa modéstia velhaca que lhe dá um certo charme.

Lisboa é mesmo uma gaja boa.

Discurso Ilusório

O mágico deslumbra os incautos;
o génio fascina os esclarecidos...

Palavras Versadas




este poema é muito mais importante que a visita do papa
porque se o deus que o director comercial
da igreja vende fosse a sério
há muito tempo
me teria colado a vida à tua boca.
quero lá saber dos peregrinos, miséria
tenho eu de sobra neste coração doutorado em atentados
fora de alcance. maldito
atirador míope
nem com mira telescópica cariño acertaria noutro coração
verdadeiro. é sempre
água
    água
        água
            água
                e eu a morrer de sede de papamóvel ao fundo.
agora a sério: vou fabricar
uma fisga, abrir o catálogo de divindades
disponíveis no (PUB) pingo doce
e rezar-lhes para que tornes a atravessar o meu olhar.
acerto-te, recolho o troféu e não te admires
se te arrastar pelos cabelos
: esta civilização é só publicidade enganosa para nos convencer
a acreditar nas prateleiras do além, mas
no fundo todos mentimos acerca da nossa idade
que é a da pedra.
e se não sabes que o progresso é um boato
mira cariño, é porque há muito tempo não sais da caverna

Palavras Versadas


gato sobrevivente

ao jantar os meus filhos
perguntam-me quanto tempo falta para o mundo acabar.
os filhos perguntam quanto tempo falta
para o pai acabar.
perguntam-me quanto tempo falta para acabarem.
em resposta faço-lhes o prato
com vegetais e peixe e hidratos de imprecisão,
dou-lhes palavras que nunca mais acabam palavras
oleosas, emaranhadas nas facas, nos garfos
que deixam marca nos copos e nos guardanapos,
digo-lhes que se despachem,
que já falta pouco tempo para fecharem os olhos
e eu desejar poder mergulhar nos seus peitos minúsculos
para lhes polir o coração que nunca acaba.

os meus filhos perguntam-me qual é o rating da vida
qual é o spread do amor
em que clube joga o fmi
quando entrará em erupção o primeiro-ministro
por que é que os vulcões não pagam portagem
de que lado ficam o máximo e o mínimo do oriente médio
se algum dia as estrelas serão condenadas
por trazerem cancro à alma dos meninos condenados
e que investigador descobrirá uma cura a sério
ou que cura descobrirá um investigador a sério, porque
os meus filhos gostam de brincar com as palavras
que nunca acabam, e se um dia lhes poderei
comprar as possibilidades que viram num anúncio
no intervalo das certezas.
ao jantar os meus filhos perguntam-me se o destino
também é corrupto, se aceita subornos.
durante as imagens de uma ambulância incandescente
e de um curioso gato que não morreu
os filhos perguntam depois da morte o que há de sobremesa
 

Crónica Benzodiazepina


A Corista

Tuxa é um nome que não se inventa. Era primeira bailarina no Parque Mayer. Ainda hoje vai para lá e dança, dança, à espera que alguém dê uma solução àquilo. Nos bons velhos tempos - como se sabe os bons tempos são sempre velhos -, o Caria era carpinteiro de cena e era apaixonado pela Tuxa. Mas ela só tinha olhos para a sua carreira. Foram muitos anos a esbanjar dinheiro em coreografias erradas, crises de amor, mudanças de casa e lesões de toda a espécie. Mas gabava-se de nunca ter tido joanetes nem ter sido sido operada às miudezas! Quanto às flatulências, simplesmente não comentava. Sorria como um novelo enrolado ao contrário e corava. A Tuxa era tímida, só beijava os homens depois de eles a terem beijado.Também era mestre em proezas. Assim que entrava em palco começava logo a levitar. Quando chegava ao camarim metia um dicionário em cima dos joelhos para que os admiradores não reparassem que ela estava a levitar. Os dicionários exercem um efeito radical em casos de levitação instantânea. A Tuxa pressentia dsso. Sobretudo quando chegava a casa a levitar como um burro. Ela era uma espécie de virgem louca, sempre com um casaco de peles que não largava por nada. A própria mãe jurava a mãos juntas que a Tuxa já tinha nascido assim... de casaco de peles! O certo é que os anos e os admiradores passaram e o dinheiro desapareceu. Desesperada, resolveu aproximar-se do Caria e pedir-lhe alguns trocos para telefonar para casa. O Caria soprou-lhe ao ouvido: «peta, tu queres é comprar um iogurte líquido de banana.» O Caria sabia que, no palco das mentiras, existem verdades enormes e o que a Tuxa queria era comer bananas sem ter de mastigar: preguiçosa!