quinta-feira, 25 de novembro de 2010

PACIÊNCIA.

Ah! se vendessem paciências nas
farmácias e supermercados...

Muita gente iria gastar boa parte
do salário nessa mercadoria tão
rara hoje em dia.

Por muito pouco a madame que
parece uma "lady" solta palavrões
e berros que lembram as antigas
"trabalhadoras do cais", e o bem
comportado executivo...

"O cavalheiro" se transforma numa
"besta selvagem" no trânsito que
ele mesmo ajuda a tumultuar.

Os filhos atrapalham, os idosos incomodam,
a voz da vizinha é um tormento, o jeito
do chefe é demais para sua cabeça, a
esposa virou uma chata, o marido "mala
sem alça".

Aquela velha amiga uma "alça sem mala",
o emprego uma tortura, a escola uma chatice.

O cinema se arrasta, o teatro nem pensar,
até o passeio virou novela.

Outro vi, um jovem reclamando que o
banco dele pela internet estava demorando
para dar o saldo, eu me lembrei da fila
dos bancos e balancei a cabeça inconformado.

Vi uma moça abrindo um e-mail com um
texto maravilhoso do Jabor e ela deletou
sem sequer ler o título, dizendo que era
longo demais.

Pobres de nós, meninos e meninas sem
paciência, sem tempo para a vida, sem
tempo para Deus.

A paciência está em falta no mercado, pelo
jeito, a paciência sintética dos calmantes
está cada vez mais em alta.

Pergunte para alguém que você saiba que
é "ansioso demais", onde ele quer chegar?

Qual é a finalidade de sua vida?

Surpreenda-se com a falta de metas, com
o vago de sua resposta.

E você?
Onde você quer chegar?

Está correndo tanto para que?
Por quem?
Seu coração vai aguentar?

Se você morrer hoje de infarto agudo do
miocárdio o mundo vai parar?

A empresa que você trabalha vai acabar?

As pessoas que você ama vão parar?

Será que você conseguiu ler até aqui?

Respire... Acalme-se...

O mundo está apenas na sua primeira
volta e, com certeza, no final do dia vai
completar o seu giro ao redor do sol, com
ou sem a sua paciência.

"Não somos seres humanos passando por
uma experiência espiritual...

Somos seres espirituais passando por uma
experiência humana..."

AS COISAS



"As coisas têm peso,
massa, volume, tamanho,
tempo, forma, cor,
posição, textura, duração,
densidade, cheiro,
valor, consistência, profundidade,
contorno, temperatura,
função, aparência,
preço, destino, idade, sentido.
As coisas não têm paz."

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Entreartes 12

Dama da Noite


É no mistério da noite que te encontro,
somos apenas eu e você,
e em você me encorajo
pois tua força causa sensações em mim,
teu sorriso de menina ,
ah... teu sorrizo!
você me leva pro teu mundo
que poucos conhecem ,
e é fundamental em minha vida,
quando estas comigo
espanta todo o mal ,
dança , e gira,
é você que domina na escuridão,
você que reina quando o dia termina
pois es dama da noite
e ninguém imagina.

Proibido


O proibido pra mim não existe
o que existe é o inatingivel
e eu já sei como alcançar !

Paixão


Sou capaz de dar arrepios no tempo
quando desejo manifestar meus desejos,
tenho um pé no espaço e os dois no chão
sou um pouco vaidade e muito paixão !

Rosas Vermelhas




Ela tinha inventado flores que recebera com cartão discreto, a letra, um rabisco comprimido, mas esta, não havia relevância alguma e sim, as flores!
Rosas vermelhas, uma delicadeza sólida que só os amantes desfrutam.
A confissão, tudo ali diante das mãos descrentes, ora lhe pertencia com materialidade.

Nascera pertencida! Sabia, mas precisava fazer sentido sobre a pele, pois há muito, ela desabitada era sua única paisagem.

Abrira o cartão com pulmões ávidos, à sensação era de que só lhe restara uma única respiração. Os olhos alagados de súplicas boiaram entre pétalas e espinhos.
A frase não poderia ser mais extravagante, de um amor fatal, que lhe golpeou os joelhos lançando-os sobre o sofá levando junto ao desmontar-se, o corpo caricato e privado de carícias.

“Dispa-se de tua alma, que levarei teu corpo a convulsão”.

Tinha inventado um vestido com rendas e seda, de cor roxa, quais violetas que viviam no canto direito da sala, onde também, livros e fotografias de outras vidas que não as dela dormiam com raízes. No decote, em forma de libélula, o broche com duas turmalinas, que inventara ser jóia de família, lhe enfeitava o coração, o músculo extenuado de insistências e mutilado de asas.

Simetricamente, a mesa fora inventada e posta com submissão, a mesma submissão quadrada que lhe coubera na rotina dos dias. Talheres de prata e copos em par. A toalha do mais fino linho, não adivinhara dor. É que o fio da trama abraçada não copiara seus caminhos que, quase sempre, não tiveram braços. A felicidade inventada estava nos pratos que eles comeriam, com tempero agridoce, por toda a vida.

Colocara as rosas, ainda mais vermelhas, no centro do olhar, da mesa, do mundo. O mundo onde colecionara, em prateleiras baixas, os sorrisos que não sorriu, pois havia dias em que gostava de usá-los a frente do espelho fingindo-se inteira. Não tardou a sentar-se diante daquele altar, que venceria solidão e vasos sem rosas, e inventou o término da espera, a boca que sorveria o vinho, a celebração.

Estava preenchida de amor, do qual acreditou ser o princípio e justificação maior a tudo que não entendia, quando ansiava, recorrentemente, por flores.
Tinha que existir uma roseira para cada pessoa! Ela sentenciara e saboreara no perfume das pétalas, as evidências. Sentira-se mais que uma mulher, ela desabrochara flor.

Olhara ao redor e nas paredes, ecos impressos em signos, na profusão tingiram os quatro cantos da consciência. Ela havia inventado a desistência e após alguns goles do melancólico veneno, a taça de vinho seca, sua língua espumara a vida inventada. A flor tombara vermelha, de amor e espinho. Matara-se como viveu. Inventada.
Para atravessar contigo o deserto do mundo





Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento.

Se não tivesses partido



                        Se não tivesses partido,
                        da alma atraiçoando o nosso encanto,
                        suspenso de espanto por um adeus,
                        podias ter sabido o que não disse e percebido
                        que eram nossas todas as manhãs,
                        quase escondidas ainda no andar.

                        Se não me abandonasses,
                        do amor traindo o rir de Abril,
                        desamparado por um ir de atordoar,
                        podias ter guardado o fogo aprimorado
                        nos pássaros alegres das mãos,
                        quase sem asas ainda no voar.

                        Mas levaste o meu sentir para te abrigar
                        e deixaste-me uma virgem na memória.
                        Não vou esquecer, por isso,
                        o riso eterno e limpo dos teus olhos.





O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
Cap. 18 - Muitos Os Chamados e Poucos os Escolhidos
A Porta Estreita
3. Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta da perdição e espaçoso o caminho que a ela conduz, e muitos são os que por ela entram. - Quão pequena é a porta da vida! Quão apertado o caminho que a ela conduz! E quão poucos a encontram! (S. MATEUS, cap. VII, vv. 13 e 14.)

4. Tendo-lhe alguém feito esta pergunta: Senhor, serão poucos os que se salvam? Respondeu-lhes ele: - Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois vos asseguro que muitos procurarão transpô-la e não o poderão. - E quando o pai de família houver entrado e fechado a porta, e vós, de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor, abre-nos; ele vos responderá: não sei donde sois: - Por-vos-eis a dizer: Comemos e bebemos na tua presença e nos instruíste nas nossas praças públicas. - Ele vos responderá: Não sei donde sois; afastai-vos de mim, todos vós que praticais a iniqüidade.

Então, haverá choro e ranger de dentes, quando virdes que Abraão, Isaac, Jacob e todos os profetas estão no reino de Deus e que vós outros sois dele expelidos. - Virão muitos do Oriente e do Ocidente, do Setentrião e do Meio-Dia, que participarão do festim no reino de Deus. - Então, os que forem últimos serão os primeiros e os que forem primeiros serão os últimos. - (S. LUCAS, cap. XIII, vv. 23 a 30.)

5. Larga é a porta da perdição, porque são numerosas as paixões más e porque o maior número envereda pelo caminho do mal. E estreita a da salvação, porque a grandes esforços sobre si mesmo é obrigado o homem que a queira transpor, para vencer suas más tendências, coisa a que poucos se resignam. E o complemento da máxima: "Muitos são os chamados e poucos os escolhidos".
Tal o estado da Humanidade terrena, porque, sendo a Terra mundo de expiação, nela predomina o mal. Quando se achar transformada, a estrada do bem será a mais freqüentada. Aquelas palavras devem, pois, entender-se em sentido relativo e não em sentido absoluto. Se houvesse de ser esse o estado normal da Humanidade, teria Deus condenado à perdição a imensa maioria das suas criaturas, suposição inadmissível, desde que se reconheça que Deus é todo justiça e bondade.

Mas, de que delitos esta Humanidade se houvera feito culpada para merecer tão triste sorte, no presente e no futuro, se toda ela se achasse degredada na Terra e se a alma não tivesse tido outras existências? Por que tantos entraves postos diante de seus passos?
Por que essa porta tão estreita que só a muito poucos é dado transpor, se a sorte da alma é determinada para sempre, logo após a morte? Assim é que, com a unicidade da existência, o homem está sempre em contradição consigo mesmo e com a justiça de Deus. Com a anterioridade da alma e a pluralidade dos mundos, o horizonte se alarga; faz-se luz sobre os pontos mais obscuros da fé; o presente e o futuro tornam-se solidários com o passado, e só então se pode compreender toda a profundeza, toda a verdade e toda a sabedoria das máximas do Cristo.