segunda-feira, 15 de novembro de 2010


Digo que Te Amo


digo que te amo 
sorris e eu amo, digo que te quero 
sorris e eu quero, dizes em sonhos 

em sonhos que já tive, onde desejei ser céu sol e 
estrelas para que te pudesse olhar eternamente 


Dorme, que a Vida é Nada!

Dorme, que a vida é nada! 
Dorme, que tudo é vão! 
Se alguém achou a estrada, 
Achou-a em confusão, 
Com a alma enganada. 

Não há lugar nem dia 
Para quem quer achar, 
Nem paz nem alegria 
Para quem, por amar, 
Em quem ama confia. 

Melhor entre onde os ramos 
Tecem docéis sem ser 
Ficar como ficamos, 
Sem pensar nem querer, 
Dando o que nunca damos. 



Sonhei comigo

Sonhei comigo esta noite
Vi-me ao comprido
Deitada
Tinha estrelas nos cabelos
em meus olhos madrugadas
Sonhei comigo esta noite
como queria ser sonhada

Senti o calor da mão
percorrendo uma guitarra
De longe vinha um gemido
uma voz desabalada

Havia um campo de trigo
um sol forte me abrasava.
E acordei meio sonhando
procurando me encontrar
Quando me vi ao espelho
era teu o meu olhar.


Não Posso Adiar o Amor

Não posso adiar o amor para outro século 
não posso 
ainda que o grito sufoque na garganta 
ainda que o ódio estale e crepite e arda 
sob montanhas cinzentas 
e montanhas cinzentas 

Não posso adiar este abraço 
que é uma arma de dois gumes 
amor e ódio 

Não posso adiar 
ainda que a noite pese séculos sobre as costas 
e a aurora indecisa demore 
não posso adiar para outro século a minha vida 
nem o meu amor 
nem o meu grito de libertação 

Não posso adiar o coração 

Apenas Um Sonho!...




Estrela de tênues olhos celestiais;
Tu és a razão da traçada liberdade,
Tua técnica iluminou a realidade
Com tua luz, - o tédio nunca mais!...



Vi numa tela as tuas imagens reais;
A música, tema de soledade,
Parou o tempo, motivo de saudade;
Esqueci os tristes momentos de umbrais!



Bebi a taça de vinho na prisão,
(Um néctar do tamanho do teu coração!)
Contemplei tua tatuagem ao luar...



Com o olhar terno de um beija-flor,
Sorvo o perfume da têmpera flor
De uma alegria tácita a soluçar!...


GUARDE O QUE É DOCE.




"Tudo o que for verdadeiro, tudo o
que for nobre... se houver algo digno
de louvor, pensem nessas coisas."

"Filipenses 4:8"

Mude os pensamentos, e você muda
a pessoa.

Se os pensamentos de hoje são as
atitudes de amanhã, o que acontece
quando enchemos nossas mentes
com pensamentos do amor de Deus?

Ficar sob a chuvarada de sua graça
muda a maneira como consideramos
os outros?

Paulo diz absolutamente!
Não é suficiente manter as coisas
ruins do lado de fora.
Precisamos deixar que as coisas
boas entrem.

Não é suficiente não manter uma lista
de coisas erradas.
Precisamos cultivar uma lista de bençãos:

"Tudo o que for verdadeiro, tudo o que for
nobre, tudo o que for correto, tudo o que
for amável, tudo o que for de boa fama,
se houver algo de excelente ou digno de
louvor, pensem nessas coisas."

Pensar carrega a idéia de meditar- estudar
e enfocar, permitindo que o que é visto
tenha um impacto em nós.

Ao invés de guardar o azedo...

... guarde o doce.

domingo, 14 de novembro de 2010

Entreartes 2

 
Difícil poema de amor


Henry Rousseau 1897

Separo-me de ti nos solstícios de verão, diante da mesa
do juiz supremo dos amantes. Para que os juízes
me possam julgar, conhecerão primeiro o amor desonesto infinito feito de marés ambulantes
de espinhos nas pálpebras onde as ruas são os pontos únicos
do furor erótico e onde todos os pontos únicos do amor
são ruas estreitíssimas velocíssimas que se percorrem como um fio de prumo sem oscilação.

Ontem antes de ontem antes de amanhã antes de hoje antes deste
número-tempo deste número-espaço uma boca feita de lábios alheios beijou.
Precipício aberto: ele nada revela que tu já não saibas.
Porque este contágio de precipícios foste tu que mo comunicaste
maléfico
como um pássaro sem bico.

Num silêncio breve vestiu-se a cidade. Muito bom-dia querido moribundo. Sozinho declaraste a terceira grande paz mundial quando abrindo os olhos me deste de comer cronometricamente às mil e tantas horas da manhã de hoje.

Deito-me cedo contigo o meu sono é leve para a liberdade acordas-
me só de pensares nela. As casas e os bichos apoiam-se em ti. Não fujas não
te mexas: vou fixar-te para sempre nessa posição.

Que há? Abrem-se fendas no ar que respiro vejo-lhe o fundo. Tens os
olhos vasados. Qual de nós os dois "quero-Te" gritou?

Bebe-me espaçadamente encostada aos muros. Se és poeta que fazes tu?
Comes crianças jogas ases sentado és uma estátua de pé a cauda de um cometa.

Mães entretanto vão parindo. Os filhos morrerão ainda? Entregas-te a
cálculos. Amas-me demais.
Confesso: não sei se sou amada por ti.

Virás
quando houver uma fala indestrutível devolvida à boca dos mais vivos. Então
virás
vivo também. Sempre esperei ver-te ressuscitado. Desiludiste-me.

E iremos com o plural de nós nos leitos menores onde o riso, onde o
leito do rio é um filho entre os dois. Que farei de teus braços de meus cabelos
benignos que faremos?

Nasci-te da minha pele com algumas fêmeas te deitei por vezes.
Conheces-me. Não me tens amor

Grave esta corda cortada agudo seixo me ataste aos olhos para me
afundar.

Só por grande angústia me condenas à morte se de mim te veio a cidade
e os minúsculos objectos que já amaste ou que irás amar um dia espero.
Ah a cratera o abismo eléctrico!

Por isso o teu novo amor será comigo mais perigoso que este imaculado
com mais visco de amor cópula mortal.

Calo-me.
Reparei de repente que não estavas aqui. Pus-me a falar a falar. Coisas
de mulher desabitada. Sei que um dia desviarei sem ti os passeios rectos
esvaziarei os gordos manequins falantes. A razão é uma chapa de ferro
ao rubro: se acredito na tua morte começo o suicídio.

Enquanto penetrantemente te espero a luz coalhou. Os pássaros
coalharam enquanto te espero. O leite enquanto te espero coalhou. Haverá
outro verbo?
Submersa, muito distante de qualquer inferno de um paraíso qualquer existo
eu. Existirão tais palavras?

É a altura de escrever sobre a espera. A espera tem unhas de fome, bico
calado, pernas para que as quer. Senta-se de frente e de lado em qualquer
assento. Descai com o sono a cabeça de animal exótico enquanto os olhos se
fixam sobre a ponta do meu pé e principiam um movimento de rotação em
volta de mim em volta de mim de ti.

Nunca te conheci - assim explico o teu desaparecimento. Ou antes:
separei-me de ti no solstício de um verão ultrapassado. As mulheres viajavam
pela cidade completamente nuas de corpo e espírito. Os homens mordiam-
-se com cio. Imperturbável pertenceste-me. Assim nos separámos.

Não calhasse morrer um de nós primeiro que o outro porque ambos ao
mesmo tempo será impossível enquanto não houver relógios que meçam
este tempo e as horas fielmente se adiantarem e atrasarem.

Alguma vez pretendi dizer-te o que quer que fosse? Falava por paixão
por tibieza por desgosto por claridade por frio por cansaço

nunca por pretender dizer o que quer que fosse.

Não me desculpo. Se já me cai o cabelo se já não sinto os ombros é
porque o amor é difícil ou a minha cabeça uma pedra escura que carrego
sobre o corpo a horas e desoras ostentando-a como objecto público sagrado
purulento. O odor que as pedras têm quando corpos. O apocalipse de tudo
quando amamos. O nosso sangue em pó tornado entornado.

O teu amor espreita o meu corpo de longe. De longe por gestos
lhe respondo. Tenho raízes nos vulcões ternuras íntimas medos reclu-
-sos beijos nos dentes.

A pobreza surge dentro de nós embora cautelosos deitados de manhã e
de tarde ou simplesmente de noite despertos. Ambos meu amigo estamos
sentados neste momento perfeitamente incautos já. Contemplamos um país
e sentamo-nos e vestimo-nos e comemos e admiramos os monumentos e
morremos.

Inventei a nossa morte em toda a impossível extensão das palavras.
Aterrorizei-me segundos a fio enquanto em corpo nu ouvindo-me ador-
-mecias devagar.

Com a precaução de quem tem flores fechadas no peito passeei de noite
pela casa. Um fantasma forçou uma porta atrás de mim. Gemendo como um
animal estrangulado acordei-te.

Enterro o meu terror como um alfange na terra. Porque é preciso ter
medo bastante para correr bastante toda a casa celebrar bastantes missas negras
atravessar bastante todas as ruas com demónios privados nas esquinas.

Só o amor tem uma voz e um gesto mesmo no rosto da ideia que me
impus da morte.
És tu tão único como a noite é um astro.

Sobre a poeira que te cobre o peito deixo o meu cartão de visita o meu
nome profissão morada telefone.

Disse-te: Eis-me.
E decepei-te a cabeça de um só golpe.

Não queria matar-te. Choro. Eis-me! Eis-me!

Sinceramente teu




Sinceramente teu

Não escolhas só uma parte

Toma-me como me dou,
inteiro e tal como sou,
não vás a equivocar-te.

Sou sinceramente teu
porém não quero, meu amor,
ir de visita por tua vida,
vestido para a ocasião.

Preferiria com o tempo.

Reconhecer-me sem rubor.

Conta ao teu coração
que existe sempre uma razão
escondida em cada gesto.

Do direito e do avesso,
um somente é o que é
e anda sempre com o posto.

Nunca é triste a verdade,
o que não tem é remédio.

E não é prudente ir camuflado
eternamente por aí
nem por estar junto a ti
nem para ir a nenhum lado.

Não me peças que não pense
em voz alta por meu bem
nem que suba em um banco
se queres, provarei a crescer.

É insuportável ver que choras
e eu não tenho nada que fazer.

Conta ao teu coração
que existe sempre uma razão
escondida em cada gesto.

Do direito e do avesso,
um somente é o que é
e anda sempre com o posto.

Nunca é triste a verdade,
o que não tem é remédio.

Último Pedido

Quando a chama tiver que se apagar,
- como um fogo sem lenha, -
só peço a Deus,
depois dos meus reveses,
que eu morra antes de ti,
pra que não tenha
de morrer duas vezes...

Sim, quando chegar o instante inevitável
em que a morte tiver que separar
em nossos corações,
- irmãos siameses - o amor,
que eu morra antes de ti
é tudo o que eu
hei de implorar ao Senhor.

SOBREVIVÊNCIA



Não existir...
Não te ter é mais que me perder...
É não ver as cores que brilham aos meus olhos.
É perder o sentido do sentir de tocar-te...
Amar-te...
Nem o vento, nem maior silêncio...
São mais dolorido que viver.
Que não ter seu beijo, seu cheiro, seu amor.
Nas manhãs que não acordo, nos dias que não sinto...
Assim levo esse corpo apenas...
Um corpo sem alma, um coração sem sentimento.
Porque morri sem ver, sem tocar, sem amar...
Vivi apenas para completar a morte desse amor.