Por do Sol de Agora.
O sol fez uma linha de luz no horizonte. As nuvens de um dia de chuva estão simetricamente lineares, conspirando para a geometria alaranjada. As montanhas de uma serra rotineiramente transposta, sem se fazerem de rogadas, produzem a cama para o deleite do Astro Rei.Alinhados estes imortais elementos em um momento raro, era como se me colocassem os olhos da alma no corpo constantemente violentado pela rapidez dos acasos. Testemunho da carne que goza desse agora. Em um gozo iluminado por este pôr do sol que pode não se repetir mais, e é essa a minha urgência. Outros virão, mas não serão como este, serão outros. E se o espírito não tivesse presenciado essa luz de adoração, teria perdido esse simples presente, presente com laço de nuvens e o presente que já ficou no passado.
E aquele agora?
Agora já virou o passado marcado daquela simetria. Escureceu.
Ficou a ardência em uma memória. Na inocente espera de outros agoras.
[De uma flor da Terra, nascida da Água e que tem o Sol - suas formas, ugências e efemeridades - como objeto de adoração]









