domingo, 24 de outubro de 2010

DA TUA HISTÓRIA


DA TUA HISTÓRIA

Ah! tu sabes bem...
Que sinto falta...
Do teu sorriso
De tua birra
De tuas manias
De tua dança
Do teu cheiro
Da tua festa
Da tua sina
Das tuas cismas
Da tua rua
Da tua lua
Da tua ironia
Das tuas promessas
Da tua nudez
Da tua timidez
Do teu bocejo
Do teu medo
Do seu luto
Da tua luta
Da tua rima
Na poesia que te faço
Visto as vestes que me deste...
E roubaste depois...
Com tua trama...
Em tua cama...
Na tua folia
Na tua alegria
Na tua raça
Na tua pirraça
Na tua arruaça
Na tua taça
No teu brinde
Na tua fuga...
E tu não voltas
E eu fico em volta dessas
Relíquias
Que tu me deste
sem que eu pedisse...
Nesse sim que faço de olhos
conto...
se eu rir
é da saudade mais bonita...

RELÓGIO


RELÓGIO

Sou ermitão confesso...
E minha ousadia
é o bom conviver de um poeta
que me fiz...

De um jeito sutil
que não é minha virtude mais atenta
pois sou mais
de alarde...
construi ladeiras em paralelepípedos
que expõe montanha minha

onde escorrem meus segredos
que não queria contar...
onde meus joelhos dobram
de cansaço e emoção...
onde abdiquei da solidão e silêncio
e fui ao extremo da paixão...
onde não sucumbi a meu vicio
que é a emoção

meu algoz que é a exposição
que me impôs castigo...
pois o que é certo em mim
é o contra-senso
o livre arbítrio desperdiçado
e essa noção empobrecida
do que vai ser a vida
por eterna
a vida por relógio é feia...

SOLIDÃO


SOLIDÃO

E num vazio insustentável
Começo a madrugada
E como dela sou parte,
enfrento...
Não há uma tristeza acintosa
Nem um cinismo premeditado
Pois eu respeito como lei
o que a noite me dá ou toma...
foi daqui que ensaiei
meus melhores
passos
foi aqui também que ri
dos meus tropeços
embaixo da luz da lua...
e se angustia eu firmo agora
a noite aceita...
a solidão para noite
é par...
e assim
hoje...
somos tríade calada e úmida...

PRESENÇA


PRESENÇA

Seus olhos conciliam meus sentidos...
olhos difíceis de não seguir
e não acreditar no que eles vêem...
é que quando você me olha
eu existo tanto!
Você respira ares perto de mim enfim...
Canso de ser um enredo do que sou
quando você deixa aqui só saudade
e desejo da mania que tenho de você

Quando oscila...
pulsa falho...
pois meu corpo todo vive dos fluidos seus,
e ai há
vida...

O que não cansa em mim
são também os olhos
De decorar seus contornos...
Mas agora você veio...
Escuta o que confesso
aqui só esse viageiro errante
com idéias romântica em desuso
vago aqui
nessa sua chegada
entre cheiros, sorrisos e toques
Nessa sensação gratuita
e não rara...
mas tão reprimida
que me faz tão curioso à vida...

MEU DIA PRIMEIRO


MEU DIA PRIMEIRO

(para todos os meus amigos com carinho completo)

Pode aceitar Deus
Essa prece minha
Nessa hora não sou falho
em esperança não...
Esse teu filho doido
que você resgata sarjetas todas
Compõe hoje sua prece mais
Desprotegida de certezas...
O que tem aqui é um agradecimento completo...
Revejo o ano todo
E não há vergonha nenhuma aqui
Fiz o que fiz
e sei que Você aceita...
Pode aceitar Deus!
Essa prece minha
Sou aquele menino
que jogaram água em minha cabeça
e disseram:
-Eis aqui seu filho Senhor
E hoje eu repito aqui no tom exato
em que perco
a voz
o juízo
e a medida certa do amor
para lhe dizer:
Eis aqui seu filho!
Obrigado pela Dádiva
da emoção que não cabe explicação nesse mundo não
Só se explica em Você...
Por isso dobre meus joelhos
Adeje minha alma entre harpas
Nesse dia da esperança
faz deitar meus medos ao teu redor
São tão pobres!
E Você Deus
seja sempre o dia primeiro de toda minha existência

O POETA E SEUS PERSONAGENS


O POETA E SEUS PERSONAGENS

Vou deixar que me decifrem
dia desses...
Mas dessa devassa arriscada,
Sobre olhares suspeitos
de meus personagens
em risinhos pervertidos,
de quem são donos de segredos
e nem são...
digo...
sabem eles apenas que
não se acha nada em mim
senão eles mesmos...

Eu os alimentei com vaidades...
e outros pecados tantos
que nem sei
e nem eles
o que é pecado mais...

Mas há algo fácil de ler...
Não vão encontrar muitas coisas
que ensinem nada à medicina
ou à filosofia...
Melhor que deixem os loucos sem cura
e os postos em paixão continua com esse infortúnio curioso...
Esse tipo de gente
competem certos
de que qualquer coisa fora
do contesto do risco total pela alegria
não há vida!

OLHOS QUE SEJAM HOLOFOTES


OLHOS QUE SEJAM HOLOFOTES

A noite hoje está mais escura...
Há uma sombra que não é desconhecida
mas eu fujo tanto dela...
está em mim...
Não trouxe meu alforje
Com os objetos que me trazem alento e defesa
Um punhado de lápis apontados
Umas folhas em branco
Uns escritos que fiz para dar para moças
que causam nelas
risos ou espantos
Um saca-rolhas
Umas pétalas de flores que ganhei
e outras que tentei dar e não aceitaram...
e que deixam perto de mim um cheiro tão bom!
Mas hoje por descuido falta o cheiro
e os documentos de que sou uma busca...
Tento andar imaginando que vão descobrir em mim
que visto uma fantasia que revela que sei falar com anjos
e margaridas...
sei colorir e adivinhar o que as nuvens formam
que não estão guardados em baús ,gavetas,ou cômodas velhas
o quanto sou lírico
estão em meus olhos...
e que nessa noite
o escuro maior de hoje
é que não sei oferecer meus olhos
ando precisando arregalar-me
até que eles prestem para que me enxerguem...

DEVANEIOS


DEVANEIOS

Espio por detrás das venezianas
a luz artificial acostuma tão fácil às vistas
que estreitar a menina dos olhos
num dia de fuga já é uma aventura...
Há um jardim que observo
é tão meu
que qualquer dia insurjo-me
e vou usucapir suas flores...

AFORISMO CRIADOS COM PERDA





Frederick McCubbin, Lost, 1907


O bom campeão sabe suportar com galhardia uma eventual perda.


O sentimento de perda é proporcional a sensibilidade de cada ser humano.


Perde-se tempo achando que o próprio tempo pode recuperar no futuro o que se perdeu.


A perda deixa uma profunda lacuna no coração de quem ama.


A maior perda é aquela em que sentimos algo morrer um pouco dentro de nós.


A pior perda é a de si mesmo.


Tudo o que perdemos sorrindo pode estar fazendo alguém chorar.


Perder-se num abismo de ilusões é sofrer de eterna insônia.


Perder um amigo nos é, às vezes, mais indiferente do que perder um inimigo.


A perda em certas circunstâncias torna-se irremediável.


Perde-se o exato à procura do mais que perfeito.


Para toda perda uma nova dor é sentida. Superá-la é vital.


Quem perde acha que perdeu muito, quem ganha acha que ganhou pouco.


A  eterna insatisfação humana torna a perda mais dolorosa e a vitória menos significativa.


Nesses tempos modernos culpamos pela nossa perda de tempo à TV e ao nosso sossego ao cartão de crédito.


Mil vezes perder algo a perder a cabeça.


A vida é uma lenta perda de tudo ao que nos apegamos com fervor.


Podemos evitar  certas perdas se soubermos dar maior valor ao que conquistamos enquanto o temos.


Perder a fé é perder a chance de recuperarmos o que conquistamos de bom para nossa alma.


A perda da identidade é  o que de pior pode acontecer à um indivíduo. É a aniquilação do ser.


A flecha que se perde por vezes ganha o alvo.


A  perda de algo muitas vezes nos revela e traz algo melhor.


Perdas e ganhos: uma árvore nos dá lições diárias de que enquanto perde uma folha lhe nascem dez no lugar.


 A perda deve ser sentida em plena consciência para que se possa superá-la. 


Negá-la dificulta esse processo de superação.


Por vezes lamentamos até pela perda do emprego que nos rouba a identidade.


Perdas e ganhos, desses opostos é feita a vida. Ganhar é fácil por vezes nem damos valor. Saber lidar com a  prda exige maturidade e requer longo  aprendizado.


A perda da inocência é diretamente proporcional ao ganho do auto-conhecimento.


Por vezes perder é sinônimo de ganhar. 


Chorar por um falso amor é deixar de doar lágrimas de júbilo ao amor que vem.


Hoje perde-se, amanhã se ganha. Viver é um aprendizado constante que requer serenidade e paciência.


Amar é doar-se até se perder em arrebatamentos.


É preciso saber perder-se para poder encontrar seu verdadeiro Eu. Perder as máscaras, perder a vergonha, perder o medo, perder os limites. Perder, de forma saudável, tudo o que nos aprisiona e nos impede de Ser.

SOMBRAS


Nos meus olhos...há sombras sem nome
Sombras flamejantes de pensamentos
Na solidão que no mundo me coube
Nas palavras por dizer...de momentos

Nas sombras que povoam minha mente
De vozes distantes...que não sou eu
Numa dor...pressentida...fremente
Da vida... que em mim morreu

Vejo em sonhos...essa sombra que desce
No escuro da noite...na fria madrugada
Essa sombra negra...que não me esquece
Sombra da morte...na noite sepultada

Minha sombra...em gestos doloridos
É voz da minha dor...da minha queixa
Grita...murmura aos meus ouvidos
A solidão...que esta voz deixa

Na sombra da tristeza...vejo o tempo correr
Corre veloz...como a chama da vida
Solto minhas lágrimas...doi-me tanto viver
Corro contra o tempo...em despedida

Minha alma...de negro vestida
Sepultada...com os sonhos...emoções
Na bruma do tempo...esqueço a vida
Na sombra de mim...enterro as ilusões

Nas sombras da noite...estendo a mão
Afasto os fantasmas que estão em mim
Sombras da minha sombra...são escuridão
São negro céu...abismo sem fim