sábado, 23 de outubro de 2010

Solidão



Solidão

Todos os dias,
ao cair da noite,
A solidão vem e deita-se ao meu lado.

Fico observando,
calado.

Ela acende um cigarro e,
silenciosamente,
Brinca com os desenhos
que a fumaça descreve no ar.

Seus movimentos lentos,
sua indiferença.

Seu rosto é pálido e seu olhos parecem estar fitando
Algum ponto além das paredes do quarto.

Percebo que ela é bonita...

O que estará ela pensando?

Jamais vou saber(...)

Mas o que importa?

Ela está aqui.

Como estará também no outro dia quem sabe?

Acho que aprendi a gostar dela,
como uma doce companhia.

Se ela demora a chegar,
fico impaciente

Quem diria?

Se não vier,
me sentirei só...
Amor



Amor

No vazio da solidão,
a busca de uma palavra,
qualquer palavra....

No meio de tantas palavras
uma soa mais forte....

No meio de tantas vozes
uma ressoa no coração....

palavras que descrevem
sentimentos
emoções
sonhos

Palavras,
tantas
se cruzando
se encontrando
se confundindo

Depois uma voz
dizendo palavras
doces
suaves
amargas
tristes
sentimentais
emocionais

Sonhos compartilhados
dores divididas
solidão preenchida

Depois um corpo
olhos
boca
mãos

O toque
o beijo
a sensação
o sabor
o cheiro
a realização

Planos para o futuro
o futuro ao alcance da mão

Felicidade....
Meu Desejo




Meu desejo?

Era ser a luva branca
Que essa tua gentil mãozinha aperta;
A camélia que murcha no teu seio,
O anjo que por te ver do céu deserta...

Meu desejo? Era ser o sapatinho
Que teu mimoso pé no baile encerra...
A esperança que sonhas no futuro,
As saudades que tens aqui na terra...

Meu desejo? Era ser o cortinado
Que não conta os mistérios de teu leito;
Era de teu colar de negra seda
Ser a cruz com que dormes sobre o peito.

Meu desejo? Era ser o teu espelho
Que mais bela te vê quando deslaças
Do baile as roupas de escomilha e flores
E mira-te amoroso as nuas graças!

Meu desejo? Era ser desse teu leito
De cambraia o lençol, o travesseiro
Com que velas o seio, onde repousas,
Solto o cabelo, o rosto feiticeiro...

Meu desejo? Era ser a voz da terra
Que da estrela do céu ouvisse amor!
Ser o amante que sonhas, que desejas
Nas cismas encantadas de langor!

LÁGRIMAS DA VIDA




Se tu souberas que lembrança amarga
Que pensamento desflorou meus dias,
Oh! tu não creras meu sorrir leviano,
Nem minhas insensatas alegrias!

Quando junto de ti eu sinto, às vezes,
Em doce enleio desvairar-me o siso,
Nos meus olhos incertos sinto lágrimas...
Mas da lágrima em troco eu temo um riso!

O meu peito era um templo - ergui nas aras
Tua imagem que a sombra perfumava...
Mas ah! emurcheceste as minhas flores!
Apagaste a ilusão que o aviventava!

E por te amar, por teu desdém, perdi-me...
Tresnoitei-me nas orgias macilento,
Brindei blasfemo ao vício e da minh'alma
Tentei me suicidar no esquecimento!

Como um corcel abate-se na sombra,
A minha crença agoniza e desespera...
O peito e lira se estalaram juntos...
E morro sem ter tido primavera!

Como o perfume de uma flor aberta
Da manhã entre as nuvens se mistura,
A minh'alma podia em teus amores
Como um anjo de Deus sonhar ventura!

Não peço o teu amor... eu quero apenas
A flor que beijas para a ter no seio...
E teus cabelos respirar medroso...
E a teus joelhos suspirar d'enleio!

E quando eu durmo... e o coração ainda
Procura na ilusão tua lembrança,
Anjo da vida passa nos meus sonhos
E meus lábios orvalha d'esperança!


AFORISMOS CRIADOS COM MÚSICA







 
























A música é devaneio para as amarras do espírito.


A música é catarse para a alma.


A música é poesia num confronto e ajuste de notas.


Música é harmonia que nos remete ao mundo dos sonhos.


O mundo foi criado com música. O fiat-lux é a primeira música jamais criada.


A música é vida que pulsa em acordes.


Flores que se abrem na primavera produzem música. A chuva canta no inicio do inverno, repetindo o coro das folhas que caíram no outono. Mas a maior música de todas as estações é a da cigarra que renova seu repertório todo verão.


O rouxinol a entoar suas belas notas, o apito do trem na estação, a criança que chora, a chuva a cair,o farfalhar das folhas ao chão.  Os sons da natureza são música de rara beleza. A música é vida.


A música é um pedido de SOS em pleno mar da existência.


A voz amada é música quando sussurra em nossos ouvidos ternas palavras de amor.


Criar música é renascer em acordes.


Cantar é musicar os sentimentos da alma. É curar as feridas do coração. 


Toda arte é música que se condensa, cada qual, em formas e conteúdos diversos.


Se a música não existisse, eu a inventaria.


Com a música nos entregamos ao mar da existência absoluta.


A vida sem música é um cinema mudo.


Faça da música a sua melhor cadeira de balanço.


A música é a arte primeira pois que da natureza se originou.


O farfalhar da folhas ao vento é uma das mais belas músicas na sinfonia do existir.


A palavra é música que quando mal proferida fere os ouvidos.


Música sim, música não, música sim, música não, música sim, música não... Hoje a margarida, ao recusar música, estava exigindo silêncios inadiáveis.


Música é arte, é expressão do belo, é soberana em sua inteireza. Leveza que acalma, cimento que sedimenta. No amor, é sempre atenta.
É pungente na oração.  Música que embala o coração.


Quem tem a música como companheira nunca dorme só ao relento.


Música, canção que afaga a alma, aos dissabores acalma.


Pegue na mão da música e deixe voar o tempo.


A música que ecoa no ar banha o universo em luz.


Socorro, gritaram os Beatles; Satisfação cantaram os Rolling Stones; Que Lindo Mundo Esse Nosso, entoou Louis Armstrong; Vivam ao Som da Música, reafirmou Julie Andrews.


A música é a expressão da alma em notas de alento, de amor, de revolta, de dor e felicidade.


A música retrata a saudade, os amores febris e tantos ardis. Música... ritmo do coração a pulsar.


Fomos, somos, e sempre seremos música.

AFORISMOS CRIADOS COM ENTREGA



É humanamente impossível amar alguém sem almejar a entrega.


Entrega é porto que se abre a espera do barco  ancorar.


A poesia que não se entrega guarda-se para outro poeta.


Entregar-se é transpor os limites que nos prendem à zona de conforto.


O amor é a entrega do ser ao absoluto.


Entregar-se é doar-se sem espera de retorno.


A entrega é um navegar por mares bravios, desbravar intempéries, romper com os limites.


A verdadeira entrega assemelha-se à colossal determinação dos vastos horizontes.


O amor é a entrega absoluta do ser.


Entrega é lume que se transforma em fogo.


Entregar-se é despir-se de vaidade e mostrar-se nu.


A musa inspiradora só se entrega para quem à ela se entrega.


Abrir os braços e atirar-se no infinito da busca , para enfim encontrar-se noutros braços.


Quem nunca se entrega a seus anseios nunca saberá o que é ser bem-aventurado.


No amor, a entrega se faz em pequenos gestos de grandes proporções.


Não existe nada tão abnegado que entregar seu ser aos cuidados de outro ser.


O medo da entrega faz o amor temer por sua morte.


Entregar é uma coisa, fingir entregar é outra que pode enganar, mas nunca satisfazer.


O medo de perder-se, de fundir-se no outro, faz da entrega um verdadeiro suplício. 


Entregar-se a uma missão é nunca fechar a porta para as novidades da descoberta.


Para entregar-se é preciso, sobretudo, amar a si próprio.


Quem ama se entrega para a pessoa amada como a chuva para o estio e o beija-flor para a flor.


A entrega é responsável pela sobrevivência do amor.


A entrega invade a paz do amor comedido para transformá-lo em coadjuvante dos maiores arroubos.


A entrega requer maturidade e disponibilidade para se dar ao outro, como a mãe que entrega seu seio para alimentar o filho recém- nascido.


Entregue-se hoje para ser feliz amanhã.


A entrega invade o ser tomando-o de assalto como o amor que transcende as palavras.

OLHOS TEUS

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Image and video hosting by TinyPicOlhos teus, muito grandes tamanhos ...
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Image and video hosting by TinyPicPara quem de nós, tem olhos para ver!
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Image and video hosting by TinyPicSão bem redondos... de cor castanhos,
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Image and video hosting by TinyPicE cor de esmeraldas, antes de amanhecer.
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Olhos teus, muito grandes, saudosos ...
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São tão grandes que a mim me espanta
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E são ainda amor, mui maravilhosos,
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Os olhares deles, o que a mim me encanta!
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Image and video hosting by TinyPicSão hortências do jardim, os olhos teus!
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Image and video hosting by TinyPicSão avelãs, são botões de rosa,
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Image and video hosting by TinyPicSão jasmins, de cor maravilhosa ...
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Image and video hosting by TinyPicSão tão redondos! E tão mui brilhantes,
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Image and video hosting by TinyPicQue só, amor, o brilho dos olhos teus,
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Image and video hosting by TinyPicIluminar a minha rua e o largo de mil fontes.
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Evidências


No palco da vida
ela entra em cena,
esbanjando glamour,
apresenta o tema...

Viver,sorrir, falar.
Está sempre em evidência!
A sua aparência
é notável ao olhar.

Uma autobiografia
gravada em imagem,
retratada a cada passagem
de nos fazer sonhar!
POEMA DESEJO


DESEJO

Advirá de sonho, prevejo
Depois a mente persegue
Torna-se num incontrolável desejo
Desejo que amamos e carregamos
Devemos saber esperar pelo ensejo
Com imaginação lutamos
Acontece, não somente com o amor
Para efectivar o que amamos
Será esse amor que nos move
Para a superação lutamos, lutamos
Havemos de mostrar, calmamente
Que não haja enganos
Temos dignidade para pertencer
À classe de bons seres humanos
Amar apenas um ser
A todo o mundo, mesmo o de enganos
Deixar testemunho de imediato
Sabemos que seremos recordados
Por mais algum tempo apenas em recato
Que isso não importe
Amemos sempre
Saibamos esperar e amar a irmã morte
Poder dizer-lhe amei, sonhei e realizei
Tens sorte
Podes levar-me
Tu que nunca poupaste alguém
Ainda que poderosos e convencidos
De que lhes serve olhar o mundo com desdém
Se vivem angustiados e amaldiçoados
Para acabar, como todos, no além!

Ergo uma Rosa


Ergo uma rosa, e tudo se ilumina
Como a lua não faz nem o sol pode:
Cobra de luz ardente e enroscada
Ou ventos de cabelos que sacode.

Ergo uma rosa, e grito a quantas aves
O céu pontua de ninhos e de cantos,
Bato no chão a ordem que decide
A união dos demos e dos santos.

Ergo uma rosa, um corpo e um destino
Contra o frio da noite que se atreve,
E da seiva da rosa e do meu sangue
Construo perenidade em vida breve

Ergo uma rosa, e deixo, e abandono
Quanto me dói de mágoas e assombros
Ergo uma rosa, sim, e ouço a vida
Neste cantar das aves nos meus ombros.