sexta-feira, 22 de julho de 2011





Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.
Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.
Um internado num manicômio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...
Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.
Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?
Estala, coração de vidro pintado!


A origem de toda a angústia é a de ter perdido o contato com a verdade.





Aquilo que o ser humano vê, ouve e sente nos primeiros anos de vida é normalmente chamado de fantasia. Mas será mesmo?... Os anos passam e a ignorância toma conta da mente, que perde a sua pureza e apreende aquilo que a sociedade lhe impõe. Ou seja, perdemos a capacidade de subir ao mundo astral, perdendo o contacto com o fantástico mundo das fadas. Mas elas continuam a coexistir com os humanos e o seu espaço físico. Não acreditar nesses seres etéreos pode mesmo tornar-se perigoso, pois sem querer estamos a duvidar de mundos paralelos ao nosso que têm uma importância enorme para o equilíbrio e preservação do planeta. As fadas têm uma personalidade própria, os seus sentimentos, ideias e talentos. Tal como nós, são bastante sensíveis, tendo as suas manias, podendo gostar ou odiar certos elementos da natureza.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Semana151 74
Você está ficando com muito sono, muito...

REVERSO



Não!
Não te amo mais
Palavras duras, violentas
Como nau sem cais
Divisa no horizonte as tormentas

Não!
Não é o jogo da vida
Nem mesmo karma
Matou o amor... criou ferida
Aos porcos... amor de alma

Não!
Não quero compaixão
Nem peço seu apreço
Mesmo tardio reconheço
Prefiro a solidão

Não!
Não quero amizade
Nem desejo sua presença
Ouso evocar insanas verdades
Prefiro que me esqueça

Não!
Não ama mais
Aquele que jamais amou
Sentimento verdadeiro não se desfaz...
Alma chora em versos
Chamas do amor reverso
Ante o sonho... despertou...

O PREDADOR


    Acordara-se em meio à relva úmida, o dia raiando. De um salto apercebe-se seminu, encolhe-se junto a um arbusto, assustado. Como fora parar ali? Corre os olhos e vê o estrago em torno de si, como se ali houvera tido uma luta... tudo destruído. Estava próximo de casa, caminha por entre a mata e entra pelos fundos, direto para seu quarto. Afinal, o que diriam se o vissem naquele estado? Quem havia feito aquilo? Resolve tomar um banho e deixa a água escorrer por seu corpo dolorido e trêmulo...


    Tenta recordar o dia anterior... havia chegado cedo do trabalho, jantara com a família e fora para o escritório apreciar o relógio que seu amigo de infância trouxera do Egito, da tumba de um faraó. Era magnífico, cravejado de rubis e banhado a ouro com uma inscrição egípcia que não conseguira decifrar. Mas e depois? Não lembrara mais nada...

    Pensava em mil possibilidades... teria sido surpreendido por algum gatuno e fugido para a mata? ou algum maníaco teria invadido a casa, lhe dera algum entorpecente e o soltara na mata? O que houvera? Como não lembrava nada? Agora percebia as marcas em seu corpo... Passara o dia entre suposições e pavor. À noite, após o jantar, repete o ritual como na noite anterior, mas agora mais atento.

    A vidraça do escritório deixava transparecer a luz do luar, sentara-se em frente à escrivaninha e observava a lua cheia, sem perceber o tempo correr, até que, subitamente, ouve as badaladas do relógio... blém, blém, blém... falta-lhe o ar, os olhos arregalam-se... vermelhos... ele voltara!

   Em pânico sente o corpo adormecer... já não podia lutar contra ele. A fera salta sobre a mesa e o consome de terror. Abre a janela e corre mata adentro.

    O homem assustado dá lugar à fera que desperta no seu peito pelas badaladas do relógio maldito. Já não pode dominar-se aquele cuja essência verdadeira foi subestimada pela vaidade.

    A fera domina o homem, o instinto selvagem agora despertara para aplacar sua fome, por séculos, adormecida... está à solta o predador...
Photobucket Disse a flor para o pequeno príncipe: é preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas.

Das estrelas...

É tão fundo o silêncio entre as estrelas.
Nem o som da palavra se propaga,
nem o canto das aves milagrosas.
Mas, lá, entre as estrelas, onde somos
um astro recriado, é que se ouve
o íntimo rubor que abre as rosas.

Nas teias da luz *


Com um beijo selas-me a boca
e me impedes de respirar.
Nada faço para me libertar desse feitiço
e, de bruços, deixo-me afogar
na ondulação morna dos teus lábios.

Com um sorriso perfuras-me o olhar
e me impedes de contemplar as estrelas.
Aceito essa cegueira súbita
mesmo sabendo que jamais voltarei a ver.

Com um suspiro rasgas-me o peito
e devassas todo o meu interior,
mas já nada importa, agora
que o leque aberto do teu corpo
me promete a libertação de todos os medos
e uma nova lâmpada se acende
na bruma desfeita dos meus sonhos solitários.