sábado, 16 de abril de 2011

Entreartes 73





Amante Eterna




Amante Eterna

Não importa o tempo em que te conheci
Que importa se me deixas em cada noite
Na madrugada das essências
Quando em mim ficam os contornos do teu corpo
Os poemas que te sonho, deixados na tua pele
Na lonjura onde te deitas

Musa, inquietação da lembrança inacabada
Pétalas são teus lábios beijando a madrugada
E eu cavalo alado perdido no caminho
Sigo o teu perfume, fragrância onde navego
Perdido e sozinho

O teu corpo, batel que conheço
Navego em mares revoltos onde me afogo
Renasço sempre em ti quando de ti me perco
Neste amor eterno onde permaneço
Nas musicas que tocamos em melodias proibidas

O Mundo

Quem tem culpa
das dores do mundo?
o mundo não dói
se o mundo doesse
morreria
por que
como anestesiar o sofrimento
duma poeira ?
ou duma molécula do ar ?
o que dói
é humano ... ou quase ...
é a vida ferida
ah , eu já vi
que senti
animais sofrerem
mas
no funeral das baleias
quem acende as velas ?
quem ora as preces ?
quem apresenta
- trajando de negro -
as condolências
ao mar que as sepulta ?
Será que os oceanos choram ?
será que os céus
entoam longos minutos de silêncio
sempre que um pássaro cai ?
será que o campo entra em luto
sempre que o sol queima uma flor ?

O mundo não dói ...
o que dói é a interrogação
que nós inventamos
o que dói
é o mundo sem resposta
para a dor ...

Catarse


As casas dormem ainda
ensaiando um silêncio de morte improvisada.
Nas janelas fechadas
oculta-se um rumor de luzes estranguladas.
O fogo adormecido da quimera
envelhece sob um céu sem luar
junto à rebentação das sombras
onde decifro a solidão fria do inverno
no crepitar da memória incandescente.

Personagem de encruzilhada, busco

um elo que faça ainda sentido
com qualquer coisa conhecida,
enquanto assisto ao desgaste lento das horas
a cavarem um fosso de incertezas
no parapeito arruinado da esperança.
Respiro todos os segredos da escuridão
no mármore arruinado onde repousa
um silêncio de asas mortas
e o gemer surdo do sono adiado.


Ao fundo do corredor

no átrio vago da demora
range a porta da alvorada
a abrir-se para a claridade inesperada do dia.

OLHAR

OLHAR
É no olhar que te quero
Como louco, poeta e criança
Olhar de sem tempo,
Que me cega por tantos desejos
Que te traz como sonho de verdade

Este olhar onde estou com você
Num mesmo e único querer
Neste encontro perdido e cego
Que só aos loucos e às crianças
É permitido revelar como poesia.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Vibrações....palavras e paz!




"Justo lembrar:

A voz humana está carregada de vibrações.

Esforça-te por evitar os gritos intempestivos e inoportunos.

Uma exclamação tonitroante eqüivale a uma pedrada mental.

Se alguém te dirige a palavra em tom muito alto,

faze-lhe o obséquio de responder em tom mais baixo.

Os nervos dos outros são iguais aos teus:

desequilibram-se facilmente.

Discussão sem proveito é desperdício de forças.

Não te digas sofrendo esgotamento e fadiga

para poder lançar frases tempestuosas e ofensivas;

aqueles que se encontram realmente

cansados procuram repouso e silêncio.

Se te sentes à beira da irritação,

estás doente e o doente exige remédio.

Barulho verbal apenas complica.

Pensa nisso: a tua voz é teu retrato sonoro."

Vida




A Vida
são duas mulheres
a amante e a madrasta




À Flor de Abril



O beijo era único. Tinha a cor dum ciclone;
As garras afiadas e cheias de mistérios
arrebataram minh´alma rumo ao etéreo...
Vi a carcaça de sangue estendida e sem nome!...



Os obreiros chegaram à dor enorme!
Vi as ruínas do meu grande castelo,
e ouvi a voz do Pai: (Senhor do Império)
- Vai-te!... O orgulho ainda te consome!



A prova cala os momentos de lamúrias!
O tempo cicatrizará as cores púrpuras!
Veremos o porvir na tela de matiz!...



O pretérito de lições não sai da mente:
nas quedas vemos o quanto o coração sente,
a dor é o caminho da vida feliz!...


Adotarei o Amor

Na Primavera, andarei com o amor, lado a lado, 
e cantaremos juntos entre as colinas; 
e seguiremos as pegadas da vida, que são as violetas e as margaridas; 
e beberemos a água da chuva, acumulada nos poços,
em taças feitas de narciso e lírios.

No Verão, deitar-me-ei ao lado do amor sobre camas feitas com feixes de espigas, 
tendo o firmamento por cobertor e a lua e as estrelas por companheiras.

No Outono, irei com o amor aos vinhedos e nos sentaremos no lagar,
e contemplaremos as árvores se despindo das suas vestimentas douradas
e os bandos de aves migratórias voando para as costas do mar. 

No Inverno, sentar-me-ei com o amor diante da lareira e conversaremos
sobre os acontecimentos dos séculos e os anais das nações e povos.

O amor será meu tutor na juventude, meu apoio na maturidade,
e meu consolo na velhice.
O amor permanecerá comigo até o fim da vida, até que a morte chegue,
e a mão de Deus nos reúna de novo.

Alegre menina


Oh! que fizeste, sultão, de mim alegre menina?
Palácio real lhe dei, um trono de pedraria
Sapato bordado a ouro, esmeraldas e rubis
Ametista para os dedos, vestidos de diamantes
Escravas para serví-la, um lugar no meu dossel
E a chamei de rainha, e a chamei de rainha

Oh! que fizeste, sultão, de minha alegre menina?

Só desejava campina,
colher as flores do mato
Só desejava um espelho de vidro prá se mirar
Só desejava do sol calor para bem viver
Só desejava o luar de prata prá repousar
Só desejava o amor dos homens prá bem amar
Só desejava o amor dos homens prá bem amar
No baile real levei a tua alegre menina
Vestida de realeza, com princesas conversou
Com doutores praticou, dançou a dança faceira
Bebeu o vinho mais caro, mordeu fruta estrangeira
Entrou nos braços do rei, rainha mais verdadeira
Entrou nos braços do rei, rainha a mais verdadeira...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ser Jovem 

 "Ser jovem.
Quem não gosta de permanecer jovem?

Ser jovem
é amar a vida, cantar a vida, abraçar a vida,
perdoando até as pedradas que a vida nos joga em rosto.

Ser jovem
é Ter altos e baixos, entusiasmos e desalentos.
É vibrar com os momentos bons e
passar por cima do que nos machuca,
com um sorriso fácil apagando os percalços.

Ser jovem
é apiedar-se dos mais fracos,
não ter vergonha de fazer um sinal da cruz em público,
cantarolar uma canção em pleno ônibus.
E apreciar uma piada gostosa.

Ser jovem
é escrever diário, às vezes.
Copiar poesias de amor e remetê-las ao namorado,
à namorada, com assinatura própria.

Ser jovem
é compadecer-se de quem sofre,
com aquela vontade imensa de fazer o milagre da cura,
de restituir a saúde àqueles que a gente estima e ama.

Ser jovem
é beber um lindo pôr-do-sol,
ar livre e noites estreladas.
Não se intrometer na vida alheia,
fazer silêncios impossíveis,
ficar ao lado das crianças,
gostar de leitura,
Ter ódio de guerra e de ser manipulado.

Ser jovem
é Ter olhos molhados de esperança e
adormecer com problemas,
na certeza de que a solução madrugará no dia seguinte.

Ser jovem
é amar a simplicidade,
o vento,
o perfume das flores,
o canto dos pássaros.
Ter alegria ao dramático, ao solene.
E duvidar das palavras.

Ser jovem
é vibrar um gol do time,
jogar na loteria esportiva,
emocionar-se com filmes de ternura e
simpatizar secretamente com alguém que a gente viu só de passagem.

Ser jovem
é planejar praias no fim do ano,
sonhar com um giro pela Europa
e uma esticada pela Disneylândia... algum dia.

Ser jovem
é sentir-se um pouco embaraçado diante de estranhos,
não perder o hábito de encabular,
tremer diante de um exame e detestar gente gritona e resmunguenta.

Ser jovem
é continuar gostando de deitar na grama,
caminhar na chuva,
iniciar cursos de inglês e violão, sem jamais terminá-los.

Ser jovem
é não dar bola ao que dizem e pensam da gente.
Mas irritar-se, quando distorcem nossas melhores intenções.

Ser jovem é
aquele desejo de fazer parar o relógio, quando o encontro é feliz,
quando a companhia é agradável e a ventura toma conta do nosso ser.

Ser jovem
é caminhar firme no chão, à luz dalguma estrela distante.

Ser jovem
é avançar de encontro à morte,sem medo da sepultura e do que vem depois.

Ser jovem
é permanecer descobrindo, amando, servindo,
sem nunca fazer distinção de pessoas.

Ser jovem
é olhar a vida de frente, bem nos olhos,
saudando cada novo dia, como presente de Deus.

Ser jovem
é realimentar o entusiasmo, o sorriso, a esperança, a alegria, a cada amanhecer...
"Ser jovem
é acreditar um pouco na imortalidade, em vida.
É querer a festa, o jogo, a brincadeira, a lua, o impossível.

Ser jovem
é ser bêbado de infinitos que terminam logo ali.
É só pensar na morte, de vez em quando.
É não saber nada e poder tudo.

Ser jovem
é gostar de dormir e crer na mudança.
É meter o dedo no bolo e lamber o glacê.
É cantar fora do tom, mastigando depressa, mas engolir devagar a fala do avô.

Ser jovem
é embrulhar as fossas no celofane do não faz mal.
É crer no que não vale a pena, mas ai da vida se não fosse assim.

Ser jovem
é misturar tudo isso com a idade que se tenha,
trinta, quarenta, cinqüenta, sessenta, setenta ou dezenove.

É sempre abrir a porta com emoção.
É abraçar esquinas,
mundos, luzes, flores, livros, discos, cachorros e a menininha,
com um profundo, aberto e incomensurável abraço feito de festa,
dentes brancos e tímidos, todos prontos para os desencontros da vida.
Com uma profunda e permanente vontade de ser"

Mulheres 

"Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.

Pare para refletir sobre o sexto-sentido.
Alguém duvida de que ele exista?

E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você?

E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento?

E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião pra São Paulo. Só meia-hora de vôo. Ela fala pra você levar um casaco, porque "vai fazer frio". Você não leva. O que acontece?

O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro!
"Leve um sapato extra na mala, querido.
Vai que você pisa numa poça..."
Se você não levar o "sapato extra", meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro. Pois o seu estará, sem dúvida, molhado...

O sexto-sentido não faz sentido!
É a comunicação direta com Deus!
Assim é muito fácil...
As mulheres são mães!

E preparam, literalmente, gente dentro de si.
Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal?

E não satisfeitas em ensinar a vida elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral.
Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"...

Tudo isso é meio mágico...
Talvez Ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe" nos "anjos da guarda" de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança).

As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravazam?

Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens...

É choro feminino. É choro de mulher...

Já viram como as mulheres conversam com os olhos?

Elas conseguem pedir uma à outra para mudar de assunto com apenas um olhar.
Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar.
E apontam uma terceira pessoa com outro olhar.
Quantos tipos de olhar existem?
Elas conhecem todos...

Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens!
E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens.

EN-FEI-TI-ÇAM !

E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas?
Para estudar os homens, é claro!
Embora algumas disfarcem e estudem Exatas...

Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era "um continente obscuro".
Quer evidência maior do que essa?
Qualquer um que ama se aproxima de Deus.
E com as mulheres também é assim.

O amor as leva para perto dEle, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas.
É sabido que as mulheres confundem sexo e amor.
E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida.
Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm ao lado.
Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo.
Mas elas são anjos depois do sexo-amor.
É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos.
E levitam.
Algumas até voam.
Mas os homens não sabem disso.
E nem poderiam.
Porque são tomados por um encantamento
que os faz dormir nessa hora."

Contos para refletir e transformar!

Transformação
 
O colunista Sydney Harris (EUA) acompanhava um amigo à banca de jornal.
O amigo cumprimentou o jornaleiro amavelmente, mas como retorno recebeu um tratamento rude e grosseiro.
Pegando o jornal que foi atirado em sua direção, o amigo de Sydy sorriu atenciosamente e desejou ao jornaleiro um bom final de semana.
Quando os dois amigos desciam pela rua, o colunista perguntou:
- Ele sempre te trata com tanta grosseria?
- Sim, infelizmente é sempre assim.
- E você é sempre tão atencioso e amável com ele?
- Sim, sou.
- Por que você é tão educado, já que ele é tão rude com você?
- Porque não quero que ele decida como eu devo agir. Nós somos nossos “próprios donos”. Não devemos nos curvar diante de qualquer vento que sopra, nem estar à mercê do mau humor, da mesquinharia, da impaciência e da raiva dos outros. Não são os ambientes que nos transformam… somos nós que transformamos os ambientes…
*******
Torne-se Oceano

Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano, ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada: os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre.
Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece, porque apenas o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano.
Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.
*******
O rio da vida

Era uma vez um riacho de águas cristalinas, muito bonito, que serpenteava entre as montanhas.
Em certo ponto de seu percurso, notou que a sua frente havia um pântano imundo, por onde deveria passar. Olhou, então, para Deus e protestou:
- Senhor, que castigo! Eu sou um riacho tão límpido, tão formoso e o Senhor me obriga a atravessar um pântano sujo como esse!
Deus respondeu:
- Isso depende da sua maneira de encarar o pântano. Se ficar com medo, você vai diminuir o ritmo de seu curso, dará voltas e, inevitavelmente, acabará misturando suas águas com as do pântano, o que o tornará igual a ele. Mas, se você o enfrentar com velocidade, com força, com decisão, suas águas se espalharão sobre ele, a umidade as transformará em gotas que formarão nuvens, e o vento levará essas nuvens em direção ao oceano. Aí você se transformará em mar…
*******
A Humanidade

Perguntaram a Dalai Lama:
“O que mais te surpreende na Humanidade?”
E ele respondeu:
“Os homens…
Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde…
Porque pensam ansiosamente no futuro e, por isso, esquecem-se do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente, nem o futuro…
E porque vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido!”

O mundo está perdido?

  "Nos dias atuais, devido aos acontecimentos infelizes que assolam o planeta, é muito comum ouvir as pessoas dizerem: "o mundo está perdido!"

Um olhar superficial pode, de fato, causar essa impressão.
Mas o mundo não está perdido. O mundo está na mais perfeita harmonia.
O sol cumpre sistematicamente o seu papel, sem alarde.
A Terra oferece todos os recursos da sua intimidade que possibilitam a vida das criaturas, em constante harmonia.

As sementes germinam, a floração acontece, os rios seguem seus cursos e os animais atendem os objetivos que o Criador estabeleceu, com equilíbrio harmônico.
Portanto, o mundo não está perdido. O homem é que está perdido.

O homem é que se esquece da sua condição de filho de Deus e se debate na busca de ilusões que mais o distanciam da felicidade almejada. 

Esquecido da sua condição de filho da luz, o ser humano se atormenta nas trevas, e acaba se precipitando nos despenhadeiros dos mais variados vícios.  O mundo não está perdido...

Nós é que perdemos o rumo...
A Terra faz seus movimentos de rotação e translação, obedecendo as leis do Criador.

Os astros giram no espaço infinito, dentro da mais perfeita sintonia com o pensamento Criador.
O Sol dardeja ouro sobre a terra, tornando possível a vida.

A chuva generosa cumpre seu papel...
O mundo não está perdido, nós é que estamos com a visão nublada e distorcida. A nossa miopia moral nos faz perder a fé no Criador...

E as manhãs que se renovam sempre e sempre, como dádivas de Deus para o nosso crescimento, escorrem ligeiras pelas nossas mãos...

Os minutos preciosos que se repetem, incansáveis, são desvalorizados a ponto de servir apenas para a construção da nossa própria desdita... 

Olhamos o mundo através das nossas lentes embaçadas pelo pessimismo e dizemos, alarmados: "o mundo está perdido".
Se encontramos uma rosa no caminho, logo perguntamos: "e o estrume, onde está o estrume?"

Mas aqueles que têm os olhos lubrificados pela fé racional, dilatam o seu campo de visão e contemplam o equilíbrio do mundo. Seus passos são ligeiros e decididos, pois a confiança em Deus os sustenta com o otimismo. 

Se na caminhada encontram estrume, logo perguntam: "e a rosa, onde está a rosa?"
São pessoas assim que mudam o ambiente terrestre. Que fazem luz onde as sombras teimam em sobressair.

Sua confiança no Criador do universo é, de tal forma, grandiosa, que jamais se deixam cair nas malhas do amolentamento ou do desânimo. São pessoas que não reclamam do mundo, mas fazem do mundo, a cada dia, um mundo melhor.

Por isso, o mundo não está perdido...
O ser humano é que se perdeu por se distanciar do seu Criador...
Por se sentir o senhor do mundo...
Por relegar a segundo plano os valores morais...
Por se obstinar em construir sua felicidade pisando sobre as costas do próximo...

Quando o homem abrir os olhos, sair da casca do egoísmo e retirar a capa do orgulho, verá que o mundo tem um colorido diferente...

Enxergará as belezas naturais com que o Criador enfeitou a terra e se deslumbrará diante do perfeito equilíbrio que impera em todo o Universo.
No reino da natureza, o ser humano é o único dotado de razão.

É o único ser capaz de questionar e entender o seu Criador.
E você, como ser humano, é o único capaz de enxergar algo além das aparências. Não se deixe levar pelo pessimismo. Corrija o ângulo da sua visão, lubrifique-a com o óleo da fé em Deus e faça a sua parte para que o seu mundo íntimo possa ser a cada dia melhor."

terça-feira, 12 de abril de 2011

ÁGUA Fonte de Vida

CONCHA NEGRA

Os teus pés
Dedo a dedo
Irei chupar com enlevo
Desmesurado
Ao fundo dos teus pés
Mastro erguido orlado
De velas rendas cordas do convés
Onde te prendas de lés a lés
E possas ancorar no meu rio
Ondular no meu cio
Vela erguida
Doce ardente
Água vertida
Docemente
Sentida

Concha de renda
Guarda segredo
Em negra doçura
Mel arvoredo
Doida loucura
A humedecer
Descoberta
Despida
Escorre prazer
Da concha secreta
Desabrida
Desperta
Estremecida
Aos pés oferecida
A endoidecer

Calor Alentejano


Finalmente consegui comprar a mota dos meus sonhos, um clássico, uma Vespa de 1962, vermelha, linda. Orgulhoso com aquele exemplar, meti-me à aventura, e de forma solitária, decidi ir pela primeira vez à concentração motard de Faro. Parti três dias antes, e decidi percorrer as zonas mais ocultas e selvagens do Baixo Alentejo, até chegar a Faro. 
Estava a ser fantástico desfrutar daquelas paisagens, com planícies repletas de Sobreiros e Oliveiras, debaixo de um calor que praticamente atingia os 40 graus. Naquela tarde, depois de ter comido uma deliciosa Carne de Porco à Alentejana, em Mourão, continuei a viagem rumo a Sul, e numa estrada secundária, e praticamente deserta, a minha mota parou.

A elevada temperatura, provavelmente provocou algum sobre aquecimento na mota. E agora? Para piorar as coisas, naquele local, não existia rede de telemóvel. Fiquei sentado na berma da estrada, à espera que alguém passasse por ali, mas o tempo passava e nada, até que ao final de vinte minutos, vejo ao longe, a vir na minha direcção, um Fiat Uno branco antigo. 
Coloquei-me no meio da estrada, e o carro quando chegou junto de mim parou, e eu pedi ajuda. Era conduzido por uma rapariga, que me indicou que a aldeia mais próxima, onde existia um mecânico ou rede de telemóvel, ficava a 10 km de distância, mas ela ofereceu-me boleia.

Era simpática, e apesar ter um ar citadino, e de se ter licenciado em Lisboa, quis regressar para a sua terra de origem para ajudar a trazer desenvolvimento e progresso para uma zona que estava cada vez mais esquecida, além disso, ela confessou que detesta viver longe do cheiro natural do Alentejo. A conversa estava interessante, mas aquele carro antigo também não resistiu ao calor, acendeu uma luz vermelho no tablier e acabou por parar, ficando a deitar muito fumo do motor… e agora?
A Adélia disse logo que o melhor era ir a pé até à Aldeia, pois ninguém passava naquela estrada, e seria perder tempo ficarmos ali parados. Lá fomos nós a conversar por aquele atalho, dentro de uma grande quinta, passando no meio do gado e grandes plantações de Oliveiras. A meio do caminho, encontramos dois lagos fantásticos, desnivelado, um a uma cota mais alta do que o outro, existindo uma queda de água entre os dois. Era água originária da Barragem do Alqueva, para rega das plantações daquela propriedade.

Adélia não resistiu, e disse que iria se refrescar. Mesmo vestida, mergulhou dentro daquela água cristalina, e gritou: “Adoro sentir e usufruir o meu Alentejo… Vem, salta, vem senti-lo também”. Baixei as calças, despi a t-shirt, e sem qualquer roupa, mergulhei… Sem dúvida, foi uma sensação deliciosa, refrescar-me daquela maneira. Aquela mulher começou a brincar, atirando água na minha direcção, e eu respondi do mesmo modo. Acabamos por nadar os dois, até à queda de água, para sentir a força da água, a bater nos nossos corpos. Ela começou-se a rir, pelo facto de eu estar totalmente sem roupa, mas acima de tudo, pelos efeitos que a água fria me tinha provocado. Eu fiquei corado, envergonhado, e sem saber o que dizer…

Ela em tom de brincadeira disse: “Aqui no Alentejo são todos muito maiores, mas eu tenho fama de feiticeira, e se lhe tocar ele vai crescer e ficar enorme…”. No meio de uma gargalhada, ela agarrou-me com força. O meu corpo reagiu de uma forma que a deixou de boca aberta. A sua mão, surpreendida com a minha reacção, começou com um movimento calmo e sereno, que me deixou descontrolado. 
Beijei-a de forma intensa, e os nossos corpos colaram-se. Com a água a cair nas nossas cabeças, o desejo que sentíamos um pelo outro aumentava a cada minuto que passava. Sem lhe tirar a roupa, a minha mão desviou a sua roupa interior, e o meu dedo entrou dentro do seu corpo. Ela suspirou de forma intensa, com uma respiração descontrolada.

Dentro daquela água fria, entrei num quente e delicioso paraíso. Ela, deliciada, impôs o ritmo, acabando de vez com a fama dos alentejanos serem lentos. Foi a mulher mais forte e intensa que conhecia. Foi fantástica a forma como aquela mulher me recebeu dentro de si, vibrando e fazendo-me sentir todos os cantos e recantos do seu interior. Pela primeira vez na minha vida, e de forma totalmente inesperada, senti o verdadeiro e saboroso prazer, com sotaque alentejano.

Mulher do Camionista


Conheci a Vera numa simples conversa na Internet, ela era querida, meiga, simpática. Vivia em Gualtar, perto de Braga, e tinha-se casado à apenas 6 meses, mas o facto de ter ido viver para aldeia do marido, fez com que mergulhasse numa profunda solidão. Ele trabalhava numa empresa de mercadorias, e percorria a Europa durante a semana, e normalmente só estava em aos fins-de-semana, e às vezes nem isso.

A Vera refugiava-se na internet para combater a solidão, e dedicava-se a escrever poesias e pensamentos, num blog que tinha criado. Eu curiosamente comecei a frequentar esse blog e comentar a sua escrita, de tal modo que depois de alguns comentários e de ter disponibilizado o meu endereço de mail, começamos a conversar e trocar alguns pensamentos. Estas nossas conversas virtuais tornaram-se tão regulares, que todos os dias ao final da tarde, perdíamos horas a conversar um com o outro.

As nossas conversas acabaram por entrar em pormenores íntimos das nossas vidas. Eu era um homem descomprometido, mas a Vera, apesar de ser casada, sentia-se só, insatisfeita e com muitos desejos por realizar. Os seus 24 anos equivaliam a uma mulher em ebulição, que se tinha guardado para o seu marido na noite de núpcias, e agora não se sentia realizada, nem feliz, e com um enorme desejo de receber e oferecer o prazer que tinha guardado para ele.

Nós os dois estávamo-nos a tornar confidentes um do outro. Todos os pormenores e segredo que ela me contava, despertava em mim um enorme desejo de a conhecer e de estar com ela, mas o facto de estarmos separados muitas centenas de quilómetros foi um obstáculo racional para nunca ter acontecido nada carnal entre os dois.

Começamos a ter longas conversas ao telefone, que prolongávamos, já deitados na cama. O que é verdade, é que as conversas começaram a ser excitantes, aquela voz doce e meiga, transbordava desejo e tesão. Estávamos quentes e desejosos de prazer, mas a distância era muita. Quando lhe confessei que estava duro só de ouvir a sua voz, foi a gota de água para ela me confessar o estado em que se encontrava, e o sítio onde tinha a sua mão.

Ela começou a pedir-me que me tocasse suavemente com a ponta do dedo, debaixo para cima, e que imaginasse que fosse a sua língua, e que depois o apertasse com força imaginado que fosse seus lábios a abocanhar-me. Nunca imaginei ouvir aquela mulher tímida a dizer tantas ordinarices e palavrões ao meu ouvido, e ouvi-la a gritar o meu nome, enquanto me implorava que entrasse dentro dela com força. Fez questão de aproximar o telemóvel da sua zona mais íntima, de modo que eu conseguisse ouvir o barulho da sua excitação e do seu dedo. Eu ouvi e adorei aquele som molhado.

Fiquei doido, só de ouvir o som daquele dedo a entrar e a sair daquele corpo ardente, e fui obrigado a parar. Eu tinha de fazer aquele momento perdurar e queria atingir o meu momento máximo de prazer em simultâneo com a Vera. E assim foi, quando ela me avisou que estava a atingir o orgasmo e começou com uma voz sôfrega e gemidos fortes. Ela gritava o meu nome, no meio de muitos palavrões. Eu acelerei o meu ritmo, a atingi o prazer em simultâneo com ela. No final ficamos sem palavras e sem reacção, em silencio…

Depois daquela primeira noite, ela sempre que sentia desejo, desafiava-me. Fui acordado muitas vezes a meio pelo toque do telemóvel e com aquela voz meiga a pedir-me carinho e prazer, devido à ausência do marido. Confesso que tentei muitas vezes resistir ao pecado daquela voz, mas ela era impossível de resistir. A Vera foi sem dúvida a melhor parceira de sexo virtual que alguma vez tive, e duvido muito que exista alguma mulher que a consiga igualar.

Será que o que ela fazia comigo era traição, sem me conhecer, sem me tocar, sem me sentir? A traição é algo muito relativo…

Vestido Vermelho

Naquele jantar em casa de um casal amigo estávamos todos muito bem-dispostos, um ambiente acolhedor, uma decoração moderna, uma luz ténue, quase escuridão. Era um habitual jantar de Natal, que realizamos no inicio do mês de Dezembro

Eles eram decoradores de interiores, e por vezes colaboravam numa famoso programa de TV, e daí o bom gosto, e forma espectacular como aquela casa estava decorada. Nestes jantares existiam sempre algo engraçado, e neste ano a regra era simples, os homens iam vestidos de preto e as mulheres de vermelho.

Durante a noite, eu comecei a ficar incomodado com a maneira com que uma jovem mulher me olhava, obviamente vestida de vermelho, amiga deles. Eram demasiados olhares insinuantes e provocatórios. Era a maneira como ela mordia os lábios a olhar para mim. Era o modo como ela lambia a ponta do indicador enquanto mordia a unha. Eu não sabia quem ela era, mas não conseguia estar atento a mais nada, olhando para o seu rosto e para o seu corpo, envolvido num vestido, onde era evidente a ausência do soutien.

Depois do jantar, ficamos sentados no sofá, e ela sentou-se precisamente à minha frente, vestido ousado que estava a deixar-me louco. Ela era de poucas palavras, mas de movimentos ousados e atrevidos. Eu estava a ficar intimidado com aquele silencioso olhar.

Ela de repente levantou-se e foi ao WC, e eu não perdi a oportunidade e com a desculpa que me tinha esquecido do Telemóvel no carro, fui atrás dela. Decidi confrontar aquela ousadia silenciosa. Ela apercebendo-se que eu a estava seguir, reduziu a velocidade do passo. Quando cheguei à entrada do WC, ela tinha acabado de entrar, e deixou a porta encostada.

Eu entrei, encostei-a à parede e perguntei-lhe:”-O que queres de mim?” A sua mão direita apertou-me exactamente o que ela queria. Eu, impulsivamente, subi-lhe o vestido, peguei-lhe ao colo e sentei-a no lavatório e comecei a lamber sobre o tecido da sua roupa interior, aquele poço de calor que latejava dentro do seu corpo. Sempre em silêncio, sem palavras nem ruídos. 

Tudo misterioso mas intenso, e ela recebia os meus movimentos com total agrado e satisfação, principalmente quando desviei o tecido, e a minha língua tocou directamente na sua pele húmida. A minha língua carinhosamente percorria aquele leito de prazer.

Quando baixei as calças, lhe mostrei tudo o que tinha para lhe oferecer ela decidiu ir-se embora. Sinceramente não a percebi. O que teria acontecido? Eu morria de desejo com aquele sabor na minha língua. Quando cheguei à sala retomei o meu lugar, e não havia sinais dela. Notei que a sala estava mais vazia e apenas alguns amigos conversam no outro canto, junto à lareira, outros fumavam na varanda e alguns já tinham ido embora.

Entretanto aparece ela naquele charmoso vestido, com a sua excelente ousadia e classe, desaperta-me as calças, e sem roupa interior, senta-se em cima de mim. Entrei dentro dela de uma forma inesperada. Entrei mas ficamos imóveis. Eu totalmente dentro dela, sentindo as suaves e discretas contracções do interior do seu corpo. Discreto, simples mas intensamente saboroso e agradável. Aquele momento foi rápido, e não durou mais de um minuto.

Ela quis apenas demonstrar-me o seu poder e do que era capaz de fazer, e a minha curiosidade aumentava a cada segundo. Quem seria aquela mulher? Eu não sabia o seu nome, não conhecia a sua voz, mas já conhecia algumas das suas qualidades. Ela queria-me dar prazer, e assim, finalmente conheci a sua voz quando ela me perguntou ao ouvido: “-Na minha casa ou na tua? Eu quero tirar este vestido rapidamente…”

Violência

Durante milhares de anos temos trabalhado para fazer deste planeta um grande hospício, e infelizmente conseguimos.

Em toda parte as mesmas coisas se repetem: as pessoas estão se matando umas às outras, há violência pelo simples motivo que nós, de maneira muito sutil, não permitimos que as pessoas usem suas energias de formas criativas.

E, sempre que as energias criativas são bloqueadas, tornam-se destrutivas.

A violência não é o verdadeiro problema. O verdadeiro problema é como ajudar as pessoas a serem criativas. Uma pessoa criativa não pode ser violenta porque suas energias estão se movendo em direção ao divino. Então você não pode ser violento, não pode ser destrutivo; isso é impossível.

Contudo, por milhares de anos destruímos todas as portas possíveis para a criatividade. Em vez de ajudar as pessoas a serem criativas, nós as treinamos para serem destrutivas. Guerreiros, soldados: nós os respeitamos demais.

Precisamos de amantes, não de combatentes. Mas o amor é condenado e a violência valorizada. É mais fácil brigar com uma pessoa e decidir quem está certo. A lei do mais forte — a lei da selva continua valendo.

Dizemos que os homens são civilizados... Eles ainda têm que se tornar civilizados. Essa é apenas uma ideia que ainda não foi concretizada. Os homens são civilizados apenas superficialmente, é apenas uma camada de verniz.

Basta arranhar essa superfície e você irá encontrar o animal por baixo — uma besta feroz, muito mais feroz que qualquer animal selvagem.

Nenhum animal, por mais selvagem que seja, usa bombas — bombas atômicas, bombas de hidrogênio. Comparado aos homens e à sua violência, qualquer animal fica muito aquém.

Jogando coisas fora

Toda vez que sentir que sua mente não está tranquila — quando ela estiver tensa, preocupada, alvoroçada, ansiosa, sonhadora —, faça o seguinte: primeiro expire longamente. Comece sempre expirando.

Expire longamente, jogando fora todo o ar que estiver dentro de você, o máximo que puder. Ao jogar fora o ar, o humor também será jogado fora, porque respirar é tudo. Em seguida procure expelir o ar até onde for possível.

Contraia o abdômen e mantenha-o assim durante alguns segundos; não inspire. Deixe o ar fora e não expire durante alguns segundos.

Então deixe o corpo inspirar. Inspire tão profundamente quanto puder. Novamente, pare durante alguns segundos. O intervalo deve ser o mesmo: se você reteve a respiração por três segundos ao expirar, agora retenha a respiração por três segundos após inspirar.

Ponha o ar para fora e retenha a respiração por três segundos; inspire e prenda a respiração por três segundos. Mas o ar precisa ser jogado fora totalmente. Expire totalmente e inspire totalmente, de maneira ritmada.

Inspire, prenda; expire, prenda. Inspire, prenda; expire, prenda. Você sentirá imediatamente uma mudança ocorrer em todo o seu ser. O humor anterior terá desaparecido e um clima novo terá entrado em você.

O que é o ódio?


O que é o ódio? Como posso permanecer calmo e centrado, mas responsável nos momentos cruciais?
A psicologia do ódio é esta: você queria algo e alguém o impediu de conseguir, alguém surgiu como uma pedra, como um obstáculo. Toda a sua energia estava sendo dirigida para conseguir algo e alguém bloqueou essa energia. Você não pôde conseguir o que queria.

Agora essa energia frustrada se transforma em ódio, ódio contra a pessoa que destruiu a possibilidade de realização do seu desejo.

Você não pode impedir o ódio, porque o ódio é um subproduto, mas você pode fazer alguma coisa a mais para que o subproduto não aconteça de forma alguma.

Na vida, lembre-se de uma coisa: nunca deseje algo tão intensamente como se fosse uma questão de vida ou morte. Seja um pouco brincalhão.

Não estou dizendo para não desejar — porque isso seria uma repressão para você. Estou dizendo: deseje — mas deixe seu desejo ser brincalhão. Se você conseguir isso, bom. Se não conseguir, talvez não fosse a hora certa — veremos da próxima. Aprenda algo sobre a arte de jogar.

Nós nos identificamos tanto com o desejo que, quando ele é bloqueado ou impedido, nossa energia se transforma em fogo; ela queima. E nesse estado de quase insanidade você pode fazer algo do qual venha a se arrepender.

Isso pode criar uma série de eventos com os quais toda a sua vida pode se emaranhar. Por causa disso, durante milhares de anos tem-se dito: "Livre-se dos desejos".

Agora, isso é querer algo desumano. Mesmo as pessoas que têm dito: "livre-se dos desejos" também lhe deram um motivo, um desejo: se você se livrar dos desejos alcançará a derradeira libertação de moksha, nirvana. Isso também é um desejo.

Você pode reprimir um desejo por outro maior, e pode até esquecer que ainda é a mesma pessoa. Você apenas mudou de objetivo. Certamente, não existem muitas pessoas tentando atingir moksha, de modo que você não enfrentará muita competição.

De fato, as pessoas ficarão muito contentes pelo fato de você ter-se voltado para moksha — um competidor a menos na vida. Mas, no que diz respeito a você mesmo, nada mudou.

E, se algo pode ser criado que perturbe seu desejo por moksha, novamente o ódio explodirá. E dessa vez será muito maior, porque agora seu desejo é muito maior. O ódio é sempre proporcional ao desejo.