sexta-feira, 1 de abril de 2011

::coágulo::


A carne
viva
de uma fruta
vermelha
madura
caída na neve

sangrando

A arte de Alex Gross pode ser classificada como aquilo a que normalmente chamamos “uma verdadeira salada russa”. Com um toque de elementos tradicionais e uma pitada de inspiração contemporânea, as suas pinturas são recheadas de imagens coloridas onde ícones míticos e religiosos, publicidade vintage, arte retro japonesa e referências pop de grandes marcas do consumismo actual se misturam, criando um mundo fantasioso mas, ao mesmo tempo, realista.
surrealismo pop Alex Gross
A série de trabalhos “Discrepâncias” de Alex Gross é apaixonante: um verdadeiro “banho de cor visual” à primeira vista. Encanta os olhos e desperta a mente. E logo nos primeiros segundos reparamos também nas muitas contradições das suas pinturas.
Mas afinal o que é que telemóveis de última geração fazem na mão de personagens com várias décadas? E porque é que dos seus olhos saltam cobras? E porque se faz publicidade de várias marcas, todas ao mesmo tempo?
Nascido em 1968 em Nova Iorque, Gross estudou no Art Center Collage of Design, na Califórnia, onde vive e trabalha actualmente. Em 2000, com a oferta de uma bolsa da Fundação Japão, passou dois meses a viajar pelo país. Daí vem a influência da cultura japonesa nas suas obras. Durante esse tempo, foi recolhendo e coleccionando várias imagens de arte e cartazes publicitários de estilo oriental. Essa colecção, “Belezas Japonesas” foi publicada em 2004 pela conhecida editora Taschen.
surrealismo pop Alex Gross
O artista é hoje conhecido como um dos nomes mais importantes do “surrealismo pop”. Feitas a óleo, as suas pinturas criam um ambiente que oscila entre o bizarro e o onírico. A mistura de elementos tradicionais com elementos modernos, que aparentemente nada têm em comum, é a sua principal característica. Alex parece escolher exactamente cada pormenor para cada imagem. Como se de uma colagem se tratasse, ele encaixa e mistura as duas realidades. E essa combinação resulta afinal num mundo encantado de fantasia ou numa visão contemporânea da sociedade?
As várias justaposições de marcas e produtos do consumismo actual estão presentes em muitas obras. A verdade é que nos cruzamos diariamente com “estas personagens”. Dos pés à cabeça, fazemos uma viagem pelas etiquetas e símbolos bem visíveis de sapatos e malas caros, camisolas e vestidos, sem falar de telefones topo de gama.
surrealismo pop Alex Gross
“Discrepâncias” fala da comunicação, ou melhor, da falta dela, numa encenação da vida quotidiana de cada um, refere Alex Gross. Onde também, como num qualquer reality-show, todos estão de olhos postos em nós, prontos a espreitar pelo buraco da fechadura. O avanço da tecnologia e das “respectivas caixinhas mágicas” ao longo dos tempos foram os grandes responsáveis. E o tempo é precisamente outro dos temas implícitos.
Numa das suas peças favoritas, o cenário é o seguinte: duas raparigas, numa estrada, numa mota. Ambas parecem iguais, mas as suas caras são diferentes. Pois, é que afinal elas são ela, ou seja, são a mesma pessoa. Na juventude e já na velhice. A estrada não representa mais do que o caminho que todos percorremos e ao qual estamos destinados, vamos envelhecendo. E o aniversário, se calhar com muitos balões enquanto crianças, se torna a melhor ou pior lembrança dessa mesma passagem.
Tudo regado com pormenores retro e vintage, com um molho especial de subversão e ironia, tornam esta série bela e inquietante ao mesmo tempo.
Os trabalhos de Gross podem ser vistos em diversas galerias e museus pelo Mundo. Alguns deles foram também usados em publicações de revistas e capas de álbuns e livros. Em 2007, o “Grand California State Fullerton Central Art Center” realizou uma exposição retrospectiva de toda a sua carreira.
surrealismo pop Alex Gross
surrealismo pop Alex Gross
surrealismo pop Alex Gross
surrealismo pop Alex Gross
surrealismo pop Alex Gross


Onde há quem tenha a pele...


...tenho a memória, sepultura
nenhuma atingirá profundidade igual à desta
nudez com quem a pele sempre tem sido hospitaleira.

quinta-feira, 31 de março de 2011


ELA MORA EM MIM.

A mulher em mim

Permanece num universo

De cores,perfumes e sabores

Cheia de emoções,imaginações.

Que pulsa e agita.

É a fada o anjo,águia de rapina.

Essa mulher é lírio em festa.

Linda ...linda...!

Essa mulher..

Mora em mim.

quarta-feira, 30 de março de 2011


Minha Vida



Minha Vida.



Muito marca a história: - a energia!...
inda há a imagem na rotina...
Canto músicas no breu que alucina;
hoje versos gravam o fim do dia.


Ao fim da incansável dor!...(agonia!...),
Encantam olhos!... Bela menina
lindos todos os passos: - dançarina!
juntos afogam no mar da Bahia.


Aos cantos durmo: - líricos açoites,
cuja alma não troca o dia pela noite,
quando ouço novamente aquele som!


Sorrio ao Sol rompendo a aurora;
Oh dias grandiosos!... (caixa de pandora)
Nas lembranças estão grandes canções!...

Amor Eterno




Teus olhos vencem a imensidão;
muitas vezes os raios do luar
refletem nas águas do teu mar,
e, revela uma rara paixão!...



- Beijo teus pés de fada Imortal!... Tão
leve, flutuo no espaço estelar,
e, em sonho já começo a navegar
na tua pureza de eterno verão!...



Já sinto o teu aroma matinal,
lânguido: - beijo tua rosa charmosa!
- Concluo a grandeza do teu fanal!



Levarei a tua voz aonde eu for,
sem ela, sou a criança que chora!
Conto tuas letras: - São palavras de amor!


A Dama das Horas

Um brilho elegante impresso nos olhos
Derrama gotas de ameno mistério
E um gesto lento impresso no ar
Desafia o caminhar das horas.

Perdida em si mesmo
Mas dominando os séculos
Ela apascenta a crueldade do tempo
E silencia todos os bronzes.

E, não sei se pelo brilho elegante
Se pelo mistério ameno
Pelo desafio do gesto lento
Ou pelo calar dos bronzes
Deixa um instante indelével
Guardado em mim.

O que as grandes e puras afeições têm de bom 
é que depois da felicidade de as ter sentido, 
resta ainda a felicidade de recordá-las.