terça-feira, 12 de julho de 2011

Universo azul (flores da simbiose)*


-Pulok Pattanayak




Cantá-la-ei na lua undécima, nocturna, suprema,
evaporando ininterruptamente os seixos nocturnos.

Pela sua boca, canto iluminuras, pérolas, guitarras solares.
No odor a cedros, anuncio os seus dedos frágeis,
a sua infinitude;
— cabelos flutuando, boca dançarina,
os botões da Primavera lembrando a “Kreutzer”
(Sonata n.º 9 de Beethoven), “stacatto”, violino e piano, limite puro
— a beleza eclodindo em seus gestos,
discursiva, épica, derramando flores.

Proclamá-la-ei em seu domínio leve,
numa paleta de cores, entre violino e donzela:
um tempo para cantar a sua brancura, ecos da sua harmonia
— odes de água e silêncio.

Amo-a fundamentalmente,
reproduzindo o seu toque, a sua música,
as palavras e o amor (prelúdio de uma fuga).

Amo-a nas tempestades de areia, numa dança de fogo.
Ela, violinista, princesa das águas, alumia a plenitude indecifrada;
eu, poeta que canta o cobalto e as marés,
transcrevo a madrugada
..........para ela, cisne branco, Nereide do silêncio.

Na sua boca converge o sândalo,
como se fosse o espelho do mar e a flor eterna do instante.

Relógios amolecidos ditarão o absoluto,
desvendando a lua incompleta, novíssima, a noite dual.
Beijá-la-ei na ondulação do trigo (a água e os frutos resplandecendo).

Escreverei o tempo novo,
desenharei, nos seus cabelos, pássaros negros.

Dir-lhe-ei os corais, o universo azul, todas as distâncias abolidas,
estrelas marinhas e líquenes.
Segredar-lhe-ei toda a alquimia, perfumes voláteis;
o lume do olhar iluminando o seu rosto velado.

Amo essa mulher, os seus olhos opulentos, elegíacos;
nas suas mãos, perfumes de água,
numa janela veneziana, ela - a própria noite.

Amanhece a sua carne e o seu silêncio.
Adivinho-a em cada pétala,
como se encontrasse o seu nome em cada aroma,
(permanece intacto o seu enigma, a sua boca).

Amo a sua delicadeza, a púrpura que incendeia as coisas.
Beijo o seu olhar;
escrevo-a na penumbra das aves, celebrando a sua música secreta
- o idílio de Siegfried e Brünnhilde -,
violetas submarinas.

Inumeráveis os cantos, os dedos, fragilmente.
O seu nome é tâmara, um nome que não se conhece;
um nome imperecível, coroado de diademas azuis.
Contemplo-a, no seu idioma secreto, na estrutura do amanhecer
(sei que o amor é primordial e antigo).


Cada tempo tem a sua coloração,
numa aprendizagem, nestas cidades,
irrompendo as fronteiras.

Falo a linguagem do mundo, densa e alquímica.
Nesses universos cósmicos, sou múltiplo e diverso.

............Não espalho o meu amor cantante.

....................— Amo-a secretamente.

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