quinta-feira, 14 de julho de 2011

“Reflecte em macro o que sente: corpos, risos, choros, dores, luzes, sombras, texturas e matérias, fazendo de todos uma só composição e revelando toda diversidade que encontra em imagens. Nascido em São Paulo, formado em design, por presságio escolheu a fotografia como afecto e enamora a arte desde 2001." É assim que Fabio Stachi se apresenta, mas melhor é ver as suas fotos.
fabio, fotografia, stachi
© Fabio Stachi.
O gosto pela fotografia vem de criança e, com a Canon analógica que comprou na adolescência, fotografava tudo à sua volta. O primeiro trabalho – um catálogo de moda - surgiu aos 21 anos. Três anos depois, Fabio e a namorada, Patrícia Costa - que é também a musa protagonista de grande parte dos seus trabalhos - gosta de explorar limites e lugares abandonados no decorrer do processo criativo. Atrai-os a sensação de fotografar num lugar com história, que tenha já sido palco de outras pessoas e vidas. Nestes espaços, Fabio nunca utiliza luz artificial, apenas a natural, e não limpa chão nem paredes. Um dos trabalhos mais tensos que fizeram teve como cenário o manicómio em Brodowski, no interior de São Paulo. Aí chegaram mesmo a perder-se, no escuro, sem conseguir encontrar a saída.
Patrícia, psicóloga e apaixonada pelo mundo da fotografia (e pelo fotógrafo) não se incomoda com os cenários sujos. Com a missão de unir mente, corpo e coração, gosta de provocar - a si própria e aos outros - com imagens e palavras. Para Fabio, ela é “mais de metade do meu trabalho. Ela enfrenta, gosta, se empolga, não tem erro. Se eu falar para ela deitar num chão imundo com um centímetro de poeira, ela vai. Posso contar com ela para o que for. Acaba ficando um trabalho sem restrições. Não é qualquer modelo que faz isso.”
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Em primeiro lugar, nasce o conceito; depois, a procura do melhor local e modelo para o ensaio; por último, a encenação. Nesse momento, dependendo da luz, das condições atmosféricas e mesmo do estado emocional dos envolvidos, tudo pode mudar. O resultado é, normalmente, um irresistível e apaixonante contraste entre a sedução provocadora de Patrícia – que ela diz ser absolutamente acidental - e os cenários caóticos captados pela objectiva de Fabio. O foco: as emoções humanas; a procura constante pelo lado intimista, expressionista, psicológico, sem a preocupação com regras ou conceitos estéticos. A missão não é tirar fotografias bonitas; o objectivo é mexer com os sentimentos de quem vê. Missão cumprida.
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