terça-feira, 12 de julho de 2011

MÃE
maternidade
(...)
Tão pouca é a vida,
o deslumbrado delírio da vida.

No tear se tecem os fios, o desenho das rendas, a
renda dos dias.
Ignoro quantos,
quantas tardes no fluir da paixão, quanto ouro e
azul na idade das mãos,
que idade no tear das mães.

Foram belas também, no sonho antigo,
passearam entre os lírios,
desatavam a cabeleira e os vestidos,
iam à beira mar.

Envelheceram no ardor dos filhos, no embalo,
distraídas da chuva e das rugas,
do sol já distante.

Pouca é a vida e os filhos crescem,
vão pelas cidades, pelo mundo, outras tardes urdindo,
afastando-se,
distraídos,
parando a loucura no poder de um braço,
no nome de uma mulher,
no trinco de uma porta.
(...)

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