terça-feira, 12 de julho de 2011

Até que a luz nos resgate


Vivemos dentro de um pesadelo antigo
sonhado por mentes perversas.
Uma teia disforme e negra
tecida com fios de sangue e escuridão.
Vivemos no ventre tumular de uma mentira
que nos suga a alma mirrada
e nos arrasta, em hipnótico transe,
até ao centro profano do labirinto.

Cativos do pecado e da iludida glória
de estranhos deuses de aluguer,
batemos os trilhos enferrujados da sombra
onde toda a esperança se afunda
num disforme gemido de poeira e ruínas.
Tudo aquilo que aprendemos,
e que nunca trouxe consolo nem alivio,
afoga-se agora no coração estagnado da lama
e nas pontes que desabam na boca do abismo.

De olhos cerrados, dormimos este sono falso,
sonhamos a angústia deste exílio decadente,
numa cega peregrinação pelo colapso da fé,
até à chama extinta da encruzilhada,
onde, em resignado silêncio, uma voz esquecida
entoa a melodia aprisionada das manhãs;
farol de esperança que nos há-de guiar
para fora desta tumba sombria,
quando a noite se devorar a si própria,
num agonizante estertor de espanto,
e, rasgando a mortalha de trevas,
a luz do novo dia nos vier resgatar.

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