quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O Perigo da Carência Afetiva

Este tema é bastante interessante, podendo nos levar a refletir sobre nós mesmos, os relacionamentos que vivemos e como estamos conduzindo as nossas necessidades. Ser ou estar carente está diretamente ligado às nossas atitudes, que sempre tem causa e consequência. Pensemos!

Quantas pessoas já não se perguntaram se o que sentiam pela outra era mesmo algo verdadeiro ou o relacionamento se mantinha por carência? Isso é normal, posto que, dependendo do momento que estamos vivendo em nossas vidas, a coisa pode evoluir para uma dependência física, psíquica e alienante do outro. Viramos vampiros sem perceber e, com o passar do tempo, esse pseudo-relacionamento começará a ruir.

A carência afetiva surge por vários fatores, e não são apenas os solteiros e solitários que podem ser acometidos por esse mal. Você pode estar casado(a) há vinte anos, ter uma vida "aparentemente" estruturada e ser carente. Tudo porque ali pode haver horizontes distintos sob um mesmo teto, dois corpos com respostas diferentes numa mesma cama, duas mentes com versões individuais acerca de sentimentos.

É possível, sim, estar rodeado de pessoas e sentir-se carente: de afeto, de atenção, de alguém que o complete e o ouça de maneira especial. Todo mundo precisa se sentir amado, protegido, admirado. E é no momento que esse alguém se aproxima e se instala no nosso cotidiano que a dúvida pode aparecer. Estou apaixonado(a) ou me apeguei por estar carente?

A paixão e o amor se confundem, até certo ponto, com carência, mas não no todo. A necessidade de um apaixonado é mais física do que psíquica. Você precisa estar perto, tocar, sentir, ver o objeto de desejo. Na carência, basta saber que existe alguém que pensa e se preocupa com você, que a sensação de vazio desaparece. É um sentimento bem mais complexo e sofrido, já que não tem a estabilidade do amor nem o desejo físico da paixão.

E por não ser uma necessidade física e sim psíquica, o apego pode ser virtual, sem contato direto com a outra pessoa; é apenas uma sensação de preenchimento àquilo que falta, o que acaba se transformando em uma dependência nada saudável e pouco real, pois há uma idealização do outro, conforme a sua vontade. E se essa carência não for recíproca, haverá aí um sufocamento na relação o que incorrerá em conflitos, mágoas e uma gigantesca confusão mental acerca dos próprios sentimentos.

O maior problema da carência afetiva é o rumo que ela pode dar a um relacionamento. Pode-se abrir mão da personalidade, das opiniões e do modo de agir para satisfazer o outro, o que acaba gerando um cansaço por conta da falta de autenticidade que este apresenta, sempre se anulando e dando demonstrações visíveis de insegurança em relação àquilo que já está fadado ao fracasso. É só questão de tempo, até que um ou outro tome coragem e dissipe o equívoco.

O carente afetivo, além de ser inseguro, é pegajoso por estar sempre pronto a agradar. Demonstra amor demais, opinião de menos, preocupação demais, controle em excesso. Muitas vezes confunde a outra pessoa por se mostrar prestativa, polivalente e insubstituível. Ele esquece o seu "eu" e passa a viver o "eu" do outro, não fazendo distinção entre felicidade alheia e a sua própria. E por querer-se amado, não se valoriza, tampouco prioriza os seus desejos e sentimentos, que vão se esvaindo até chegarem novamente ao vazio interior.

Enquanto não houver entendimento de que não é no outro que se encontrará o que lhe falta, o diagnóstico é um grande sofrimento interno, entre altos e baixos, sorrisos e lágrimas, até encontrar um meio termo que o liberte dessa sensação de dependência incoerente, frágil, que o impede de ir adiante e ser uma pessoa autoconfiante, não vulnerável, que sabe o que sente e que se garante. Carência não é crime, mas não tentar se livrar dela, é suicídio emocional.

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