sábado, 22 de janeiro de 2011

PRESENÇAS

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LENTA DERROCADA

O Tempo parou, na casa caída.
Mas foi o mesmo tempo
quem sarou a ferida…

Resvalante grão de pó.
Subtil, invisível e constante
no abrupto declive intemporal.

Desagregam-se pedras, areia e cal.
Morte lenta da velha estrutura.
Condenação ao esquecimento sepulcral.

Pouco vai sobrando. Tudo abandonado!
Um dia, casa dos afectos, meu abrigo.
Cais ausente. É agora barco naufragado,
desfeito porto seguro, perdido amigo!
.
A dor aguda das faltas muito amadas
foi-se diluindo no amargo das lágrimas,
de tão velhas, hoje já não choradas…

Quando o dedo calca volta a doer.
Mas uma dor longínqua, não gritante…

Ouço o murmurado silêncio a desfazer
a querida casa minha, tão distante!

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