quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O Hipócrita


Tudo na Vida,
Tem uma medida,
Pode ser grande, estreita ou até sem saída,
Pode ser ínfima Hipocrisia de Hipocrisia incompreendida!...
Tudo na Vida tem um peso,
Carga leve sobre teu insuportável poder indefeso,
Derrota esmagadora da qual sais ileso!...

A vida é uma razão fodida,
O fingimento ao qual te sentes preso!

Anjo sombrio, esse estupor,
Tinha uma admirável balança,
Não como a da Justiça em sua justa herança,

Num prato punha o Amor,
No outro a falsa esperança!...

Cravos entre coágulos oxidados,
Crescem no sofrimento do estigma,

Para o espírito pobre será sempre um enigma,
Para os hipócritas ricamente compensados,
Serão martelos cravando o paradigma,

Nos valores humanos crucificados,
Tão fartos de amargos cravos glorificados,

Sustentados por falsa cruz fidedigna!

Quem quer sentir uma chaga de Cristo crucificado?...

Bem no âmago do Amor desperdiçado,
Não desse Amor que arde no oportunismo viciado,

Daqueles que semeiam a ilusão,
Entre o raciocínio animal sem razão,

E o sexo premeditado,
Na promessa conjurada de triste condição!

Quem quer um Estigma de Cristo?...
Eu sou vossa sexta Chaga na qual resisto,
Restam as cinco da Crucificação:
Tórax, Punhos e Pés do Justo condenado,
Julgado pela Hipocrisia do Hipócrita revelado,
Na certeza de adivinhada confirmação!...
Ainda querem uma cruel Chaga do inocente castigado?!...
Ergam os olhos bem para dentro de vossa consciência,
E tenham a humildade de aceitar sua beneplácita clemência!

Anjo sombrio, esse estupor,
Tinha uma admirável balança,
Não como a da Justiça em sua justa herança,
Num prato punha o Amor,
No outro a falsa esperança!...
*
És esperança de teu próprio fruto imortal,
Esperança perdida de tua inacabada árvore genética,
Flor de laranjeira em virgem declaração Poética,
Coroa de pureza elaborada em teu ritual,
Vida coagulada escorrendo do Santo Graal,
Copiando formas de querer estético,
Ilusória imagem de teu sangue virginal!
*
Hipócrita, esse grande estupor,
Grava hipócritas métricas de desmedido sal,
Em lágrimas salgadas de fingido Amor!

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