quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Ilusão forte de um Olhar falso

Eu sou o vento,
Dispo-te de tua beleza que se veste no tempo,
Sou vento forte!...
Visto trapos de luz com o brilho de tua sorte,
Sou ciclone desatinado e violento,
Alma de teu sofrimento,
Sou teu desejo sem norte,
Sou o tempo,
Sou o vento,
Talvez a Morte!

Eu sou a fome,
Alimento tua gula de um inferno sem nome,
Sou fome violenta!...
Insaciável ninguém que de ti se alimenta,
Sou apetite que come,
A vontade que consome,
E de ti se sustenta,
Apuro teu sabor com o suor que te experimenta,
Sou a Fome,
Sou o nome,
Talvez tormenta!

Eu sou o carrasco,
Ofereço tortuoso caminho de sangue até ao penhasco,
Sou a dor!...
Sou pus em ferida aberta de teu dilacerado amor,
Sou ignóbil fiasco,
Sou a náusea do asco,
Sou a consciência sadia do teu miserável torpor,
Sou o carrasco,
Sou o asco,
Talvez rancor!

Eu sou o reflexo,
Exponho a verdade côncava de teu falso convexo,
Sou a cegueira!...
Sou a cor omitida na mentira de uma bandeira,
Sou infectado sexo,
Sou teu olhar perplexo,
Sou as trevas de capa e capuz da inesperada ceifeira,
Sou a rasteira,
Sou caos sem nexo,
Talvez inquisição e fogueira!

Eu sou a claridade,
Destruidor de mentiras com laivos de crueldade,
Sou verdade crua!...
Sou sonho desprotegido do pesadelo de consciência nua,
Sou refúgio da falsidade,
Causa perdida de tua ansiedade,
Sou leito escorrido onde teu medo desagua,
Sou corgo da piedade,
Alivioso despertar de tua adormecida intimidade,
Sou imagem tua,
Que no pesadelo se insinua,
Sou, quando acordas, a verdade,
Sou tua maldade,
A dúvida que se perpetua,
Eu sou a Liberdade!

Eu sou ninguém,
Pouco mais de nada,
Sou grito de alguém,
Sou o sonho que se retém,
Demónio de uma alma cansada,
Sou teu desdém,
Parte de perdidas partes em partes separada,
Sou um pouco de ti, porém,
És muito de mim também!

Eu sou a mentira da verdade
Sou desprezo que de ti fica aquém,
Sou o vento forte da Liberdade!

Só não sou o que digo ser,
Quando meus olhos consegues ver!

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