domingo, 16 de janeiro de 2011

Folhas das Árvores que Choram



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Afagada a cor de uma última folha que resta,
Pela lágrima em seiva de um olhar meigo libertado,
Liberta transparências dos carreiros duma densa floresta,
Que agradecem os veios em pagos de um castigo calado,
Por flutuantes perdões verdes de um seco silencio parado,
Remissível no sossego da dádiva que ao grito se empresta,
Soltando a Folha muda da palavra nua que se manifesta,
Num espairecido suspiro de verde adeus ignorado!

Na força da folha que falha,
Faz-se forte a fábula que fala,
Excitando a façanha que embala,
Faguice que na nudez pálida se espalha,
Tocando vestes nuas caídas de um farto seio,
Transformado em ternura de uma etérea poalha,
Inebriando de luz a liberdade do suspiro seguinte que se cala,
Porque a última folha é olhar verde caído de uma eterna batalha,
Perdida na cor que na vida, entre a morte, à dor vive alheio!

Um vento frio fustiga árvores sem tendência,
Árvores altivas que tornam o vento frio mais frio,
Ao serem envolvidas por serpentinas de inocência,
Que envolvem o vento numa espiral fria de exigência,
Convencendo-o a ser um terno berço de leito macio,
Que acolhe a despedida de um dormente beijo vazio,
Por adormecidos lábios mornos de atenuante sonolência,
Sossegando todas as folhas caídas, filhas de Amor sadio!

Uma a uma, enquanto o tempo dorme,
Delicadas, abrem-se as mãos suavemente,
À cor esmaecida de um verde ausente,
Soltando o gesto num lamento enorme,
Que se repete em silêncio conforme,
No poiso de uma folha jacente!

Na floresta sem cor de muita gente,
Há folhas caídas dos olhos das árvores que choram,
Derramando a seiva de esperança que o coração sente!

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