quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ingratidão


Cravaram-me uma estaca
Na alma!...
Apoderaram-se do meu tesouro
E deixaram-me prostrada
Num chão
Nojento e pegajoso
Pejado de mentiras esventradas
E de odor pestilento
E são às dezenas os sorrisos...
Cínicos!
Que na pressa da retirada
Lhes caíram do rosto
E se espalharam no meio da podridão
Pobres criaturas sem palavra
Que de tão miseráveis que são
Atraiçoam quem lhes deu o pão
Nos dias mais negros
Da fome apertada
E salvaram quem nada lhes deu
A não ser a ilusão
Daquilo que não passa
De um redondo nada...
Mataram
E fugiram todos
Montados na mula da covardia
Salvou-se um estranho silêncio
Que paira num ar irrespirável
Morri sozinha
Sem glória alguma
Com a dor da desilusão

Não mais voltarei
A pisar o chão que me viu morrer!...
Entreartes 23

Júpiter a 24º de Peixes - A ilha 6


Símbolo do dia : Uma ilha deserta

PI 24. Um brilhante crescente lunar emerge de uma nuvem muito escura, de onde cai um raio, iluminando dois homens que se esmurram.
ou - Um homem e uma mulher deitados em uma cama.

Na ilha , lugar de reclusão, inferno ou paraíso, alguns brigam, outros descansam  e se revigoram.

Júpiter a 05 semanas encontra-se no mesmo grau. 

Bom dia.
Hoje é quinta-feira, dia de Júpiter, regente de Sagitário, Peixes e da Sefira Chessed
Júpíter/Urano® em Peixes, Marte em Sagitário.

Os primos continuam brigando... Os impulsos que direcionam a algo  maior  e diferenciado estão em interação e conflitam com a ação. A água esquenta e ferve no contato com o fogo. Júpiter/Urano®  se  voltam para dentro. Marte se volta para fora e quer se exibir . Entendendo este mecanismo pode haver equilíbrio, mas até que isto aconteça, muitos conflitos podem ser vivenciados. O Grande Juiz ,na ilha, acima do bem e do mal, se acha no direito de julgar a tudo e a todos e , extremadamente, persegue o princípio da liberdade ...  a suprema vontade precisa ser satisfeita imediatamente.

Clique na imagem para ampliá-la
Na Árvore da Vida, o trio se encontra no movimentado reino de Malkut onde nada é permanente. Júpiter para ser o portador da alegria e da paz precisa se elevar, encerrar este ciclo e se perguntar: O que aprendi com esta experiência? Só assim poderá acessar os verdadeiros sonhos de expansão iluminados pelo Sol Sagitariano. Mas antes disso, deverá vencer a Lilith, injetando certeza no bem, para acabar com as confusões emocionais.

Piscianos e Sagitarianos do último decanato : o período de  reclusão está acabando. Aproveite para criar expansão com a imaginação.

MOMENTOS

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

"Existem momentos na vida da gente,
em que as palavras perdem o sentido
ou parecem inúteis, e,
por mais que a gente pense
numa forma de empregá-las
elas parecem não servir.
Então a gente não diz,
apenas sente."

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010


A Compaixão

Escasseia, na atual conjuntura terrestre, o sentimento da compaixão.

Habituando-se aos próprios problemas e aflições, o homem passa a não perceber os sofrimentos do seu próximo.

Mergulhado nas suas necessidades, fica alheio às do seu irmão, às vezes, resguardando-se numa couraça de indiferença, a fim de poupar-se a maior soma de dores.

Deixando de interessar-se pelos outros, estes esquecem-se dele, e a vida social não vai além das superficialidades imediatistas, insignificantes.

Empedernindo o sentimento da compaixão, a criatura avança para a impiedade e até para o crime.

Olvida-se da gratidão aos pais e aos benfeitores, tornando-se de feitio soberbo, no qual a presunção domina com arbitrariedade.

Movimentando-se, na multidão, o indivíduo que foge da compaixão, distancia-se de todos, pensando e vivendo exclusivamente para o seu ego e para os seus. No entanto, sem um relacionamento salutar,
que favorece a alegria e a amizade, os sentimentos se deterioram, e os objetivos da vida perdem a sua alta significação tornando-se mais
estreitos e egotistas.

A compaixão é uma ponte de mão dupla, propiciando o sentimento que avança em socorro e o que retorna em aflição.

É o primeiro passo para a vigência ativa das virtudes morais, abrindo espaços para a paz e o bem-estar pessoal.

O individualismo é-lhe a grande barreira, face à sua programação doentia, estabelecida nas bases do egocentrismo, que impede o desenvolvimento das colossais potencialidades da vida, jacentes em
todos os indivíduos.

A compaixão auxilia o equilíbrio psicológico, por fazer que se reflexione em torno das ocorrências que atingem a todos os transeuntes da experiência humana.

É possível que esse sentimento não resolva grandes problemas, nem execute excelentes programas. Não obstante, o simples desejo de auxiliar os outros proporciona saudáveis disposições físicas e mentais,
que se transformarão em recursos de socorro nas próximas oportunidades.

Mediante o hábito da compaixão, o homem aprende a sacrificar os sentimentos inferiores e a abrir o coração.

Pouco importa se o outro, o beneficiado pela compaixão, não o valoriza, nem a reconheça ou sequer venha a identificá-la. O essencial é o sentimento de edificação, o júbilo da realização por menor que seja, naquele que a experimenta.

Expandir esse sentimento é dar significação à vida.

A compaixão está cima da emotividade desequilibrada e vazia. Ela age, enquanto a outra lamenta; realiza o socorro, na razão em que a última apenas se apieda.

Quando se é capaz de participar dos sofrimentos alheios, os próprios não parecem tão importantes e significativos.

Repartindo a atenção com os demais, desaparece o tempo vazio para as lamentações pessoais.

Graças à compaixão, o poder de destruição humana cede lugar aos anseios da harmonia e de beleza na Terra.

Desenvolve esse sentimento de compaixão para com o teu próximo, para o mundo, e, compadecendo-te das suas limitações e deficiências, cresce em ação no rumo do Grande Poder.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O meu sonho, o meu caminho...

eu

O meu sonho, o meu caminho...


O meu verbo

A M A R

A minha palavra

F A M Í L I A

O meu verbo

V I V E R

A minha palavra

F E L I C I D A D E

O meu verbo

S O R R I R

A minha palavra

F É

O meu verbo

P E R D O A R

A minha palavra

C O M P A I X À O

O meu verbo

C O M P A R T I L H A R

A minha palavra

O R A Ç À O

O meu verbo

F A L A R

A minha palavra

D I Á L O G O

O meu verbo

S O M A R

A minha palavra

D O Ç U R A

O meu verbo

O R A R

A minha palavra

A L E G R I A

O meu verbo

C A N T A R

A minha palavra

N A T U R E Z A

O meu caminho

O M E U D E U S

O meu sonho

V O C E

O meu verbo

E N C O N T R A R

A minha palavra

E U  E V O C E

Anjo, mulher ou menina???

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Anjo,  mulher ou menina???


Estrelas bailam no céu
Um bailado ao som de Ravel
E cá donde estou te faço juras de amor
Mas nào sei aonde estás, onde mora
Nem tampouco quando vou te encontar
Mas sào tuas as minhas palavras

Que nem sempre sào só de amor
Sào de angustia , de medo e de dor
Me mostro inteira e branda
Mas nào me veja como
Anjo ou santa
Talvez uma mistura de tantas

Tantas e quantas possam ser
As mulheres que habitam em mim
Sou menina, mulher, sou criança
Depende de como me queira
Ou me enxerga
Mas garanto que sou todas elas

Gueixa senhora, donzela
Mas saiba definir cada uma delas
E terás de mim
O meu melhor
E conhecerá
Também o meu pior

Nào sou perfeita
Mas desejo ser tudo de melhor
A beleza, o amor mais puro
Da flor quero ser o perfume
Do sol o calor que te aquece
E do céu o azul que enriquece

Sou seu anjo de asas
Que voa...
Voa para lá do infinito
E te leva para viver
Um amor
Verdadeiro e muito mais que bonito...

Maribel Santos
"Minha boca,janela da minha alma."

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Tantas Quantas...


Todas que possas ser
De certeza que és
Tantas quantas especiais
Completas
Plenas
Sedentas
Envolventes
Irresistíveis
Sei que és assim
Essas mulheres
Seres que se transformam
Ao longo de Ravel
Na evolução do bolero
Intensificando passo a passo
Compasso a compasso
És a meiga, a doce
O carinho mais tenro
És a sedutora, a sereia
Mulher avassaladora
És a senhora, a dama
Compenetrada, inatingível
És a gueixa, o puro desejo
As vontades todas
Intensidade, loucura
Força
Dominadora
Dona dos meus sentidos
Das minhas vontades
Desejos
Fantasias
Luxúria
Quero todas
Quero tudo
Se me dá medo quero o medo
Se me dá emoção quero emoção
Se me dá atenção quero atenção
Se me dá o olhar quero o beijo
Se me dá o beijo quero o corpo
Se me dá o corpo quero a alma
Se me dá o cheiro quero o gosto
Se me leva ao êxtase quero teu colo
Não me importa onde moras
Onde estejas ou estarás
Te sinto em mim
Te sinto aqui
Você está nas entrelinhas
Nas pausas
No silêncio
Nas frases que só eu sei ler
Nos sentidos todos
Desejos do mais fundo de mim

Beija-Flor
"Eu venho do ar"

Mulheres em mim...

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Mulheres em mim...


Procuro-me...
Encontro-me...
Acho-me...
Sou coração, sedução, compaixão
São tantas... tantas e quantas
E como eu quiser ser
São muitas mulheres
Mas quantas mulheres habitam meu ser?
Que segredos cada uma delas esconde de mim?
Desejos contidos, um amor proibido, sentimentos reprimidos?
Tristeza, angústia, medo, ansiedade, mistérios?
Não ou sim???
Elas estão todas aqui...
Enraizadas
Sustentam-me,
Apóiam-me,
Ensinam-me,
Criticam-me,
São solidárias, amigas, cúmplices
Misturam-se com calor
Transpiram amor
Transformam a dor
Fogem do horror
Da mentira
Do ciúme
Mastigam palavras
Respiram sentimentos
Dançam ao luar
Fazem de mim
Uma poesia escrita
No tempo...
Solta ao vento
E abençoada pelas ondas do mar...

Maribel Santos
“Minha boca, janela da minha alma”.

A cançào do vento

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A canção do vento...

Hoje acordei com o vento

Soprava  suave como melodia
Chegou de mansinho em meus ouvidos
Parecia uma canção de amor

Fiquei embriagada com tamanha beleza

Me senti flor
Me vesti de calor
Deixei-me levar pelas ondas do vento

O meu corpo ganhou asas

E uma magia tomou conta de mim
Podia eu agora voar e chegar a ti
Mas onde está doce amor?

Que dia mágico é este

Que não tenho você junto a mim?
De que me servem as asas se não sei para onde voar?
Será que você já está voando pra mim?

São tantas perguntas

Que ficam  a rondar
Mas o meu coração abranda o meu ser
Ele vibra e sente o teu querer

Uma brisa suave e doce

Toca o meu rosto
Beija o meu lábio
Envolve o meu corpo

São ondas de amor

Que vem de você
Sinto um perfume
Que me faz levitar
Sinto tuas mãos
Que seguram as minhas
E começo a chorar
São lágrimas de emoção
De felicidade
É você que chega devagarinho
Para saciar a minha saudade...

Maribel Santos

“Minha boca, janela da minha alma.”

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OUTRAS POESIAS



Depois que o mar, trouxe todas as conchas,

a areia ficou tão cheia de detalhes exaustos

e pequenos. As pegadas sem destino foram

diluídas assim como a vida e as nuvens após

o vento rápido e intenso.



Fiquei sentada, ali, sondando o horizonte,

vendo as ondas irem, observando mistérios

inobserváveis, calada, olhando para dentro

de minhas águas ainda turvas e quase perfeitas

em seus enigmas.



Nada lamento. Não há espaço para estranhos

arrependimentos. Quando olho adiante, sei

da grande diferença que a diplomacia tenta

esconder. Máscaras e acordos de cavalheiros,

tapinhas nas costas, palavras bonitas que não

resistem à primeira exposição ao calor.



Suspiro.



O amor deve ser tão maior do que esse mar que me

afaga e afoga em sabores e saberes existenciais.

Deve engolir todas as dúvidas e colocar-se como

verdade e escudo, deve ser tão maior do que os

medos e as incertezas que abarca. Divago e não

mais penso. Apenas convenço a mim mesma.



Fico um pouco mais, sondando o céu escurecido

pelas nuvens grávidas e quando levanto sei que

faria tudo novamente e dessa vez, não olharei

mais para trás. Mergulho nas ondas frias. Dentro

de mim, borbulham outras poesias.

Agora sinto-me como fênix....

Recuso-me a não acreditar


Recuso-me a não acreditar no ser humano, recuso-me consciente de quem temos muito ainda para fazer em prol de um bem maior que é a vida no seu curso lento e sossegado como as águas calmas de um rio...

ET


E que tal criar uma imagem nova, a pensar nas imagens de banda desenhada do futuro?

Talvez assim os nossos olhos fomentassem uma aproximação dos objectos não identificáveis....até à data

A JANELA DA SAUDADE



Deixei à porta a saudade
À janela a minha dor
E voltei à mocidade
À procura do amor

Corri ruas, estradinhas
Onde outora vivi
Desfizeram-se as casinhas
A rua não conheci

Fui à procura dos sonhos
Que tinha na mocidade
Vi pesadelos medonhos
E só résteas de saudade

E a fonte que outrora
A minha sede matou
Nem a água já lá mora
Pois de cansada secou

Acordei com a lua bela
A afastar minha dor
Pôs a saudade à janela
Armada em cinderela
P'ra te beijar meu amor.

ÉS A MINHA GOTA D'ÁGUA


No mar da minha ilusão
Vou emergindo sem ver
Se o meu pobre coração
Deixou ou não de sofrer

E assim em cada braçada
Fico parada, dolente
Pois sei que esta estrada
Me vai matar lentamente

E ao olhar o horizonte
Descubro algo a brilhar
Será um rio, uma fonte
Que me está a chamar

E a cada passo que dou
Dispara o meu sentir
Desconheço onde estou
E onde me vou dirigir

Fechei os olhos e abri
Sem querer acreditar
Que eras o rio que aqui
P'ra mim estava a brilhar

És a minha gota d'água
Que deslizou no meu ser
Enterrou a minha mágoa
E me ensinou a viver.

Naufrágio- Nau frágil


Singra o corpo escultural.
Como a nau singra o oceano.
E, o corpo, finge engano.
E escorrega pela costa... costeiro.

De vento, não brando, " incha a vela"
Tempestuoso!
E o corpo manhoso,
manha, manha... e, assanha!

Uma espuma branca,
(das ondas entrecortadas...)
cobre a superfície do corpo,
cobre a superfície das águas.

E o corpo segue...
Escultural!
E a nau?
Naufraga.

POEMA FORAM AS COBRAS


FORAM AS COBRAS

Começaram no fanfarrão as manobras
Era no ano cinquenta e três
Havia em hibernação muitas cobras
Não há enganos, ia pelos doze anos apenas
Na arroteia do terreno onde definhava já o velho caniçal
Os ninhos, a hibernação as cenas
Nessa tenra idade já não brincava no quintal
Então conheci o entretenimento
De começar a encontrar as bichas enroladas inteiras
Com a inchada as cortava a meio
As bichas fraccionadas remexiam de várias maneiras
Começaram a aparecer muitas como que a amedrontar
Rapazola, como era
Mais me entretinha a fraccionar
A brincadeira deu em ser tanta
No fim as enterrava aos pedaços a cavar
Resultou, parece ter ficado uma alma de víbora
Que por vezes aparece
É benéfica, marca o tempo como se fora clepsidra
Parece querer desejar mal
Na minha mente, de repente parece uma hidra
Mais víboras e hidras virão
Vejam meu rosto de ralado
É fadário de quem olha para esses monstros com desdém
Que apareça, acaba por deixar sorte
Volte e apareça quando lhe convém
Não lhe desejo a morte, não
Antes a sorte, a tranquilidade que fica também

POEMA MORAR EM LISBOA


MORAR EM LISBOA

Na ilusão de uma vida boa
Procurado a cidade do velho fado
Vim morar em Lisboa
O pensamento vagueia pelo mundo inteiro
Não será à toa
O amor é muito brasileiro
Amor platónico enfim
Nas minhas vivências
Na mental irrequietude não será ruim
No deambular pelo mundo
Tenho aprendido que o amor é assim
Desde cedo mentalmente viajei pelo Brasil
 Procurando o deus do bom fim
Procurei por toda a parte
Fui à cidade maravilhosa
À fronteira norte, onde vi como é linda a natureza
Passei pelo sertão onde tudo me pareceu espinhosa rosa
Fiquei fascinado com o folclore nordestino
Nas praias do Maranhão vi a mulher dengosa
Sensual, deixando uma sugestão
Entrei numa aventura airosa
Não passou disso então
Sempre pela beira-mar desci
Acabei o périplo no Rio de Janeiro onde tomei o balão
Tudo terá nascido do sonho
Do feliz mundo da ilusão
Afinal tudo foi sonho, não à toa
Convivo feliz com a nostalgia do fado
Algo se cumpriu, moro em Lisboa

Vida


" Viver Dói,
Mas Deixar de Viver...

... Dói Muito Mais "

Solidão

O vazio atormenta
na estrada da vida

Pensamentos
vagam pelas ruas como um andarilho
há procura de um poíso

Amargura no olhar consome
arrasta a sombra
da solidão viva
que aos pedaços come

Com o outono caído nos lábios
e um punhado de palavras
na mão esquerda
tropeço nas pedras,
dobro os joelhos,
agora que caí quem me levanta?

Quem me vem ler a mão?
E me sopra as palavras, que há tanto tempo carrego,
ao coração?

NOITE





NOITE

Intacta saudade
Ainda antes de flor
Hora germinada

Do medo e de todos
Escondida no silêncio
Esquiva palavra

Enquanto o olhar
Puder enxergar o amor
Noite é pensamento

Resto



Não houvera antes
desejos viajantes
Quando os meus versos
eram todos para ti
Incide que hoje
ando desmantelada  
e faltosa de lirismo
Resta-me anódinos
e humanos anseios
disparatados
e fragmentados
Houvera antes um poeta
Resta hoje
fantasmas
da poesia de mim.



Pensando demais no não estar. Eu ando assim. Pensando.

Na insuficiência de estar viva e na inexplicável razão da existência. Resistência.
Desalentada de tudo, eu ando. Desmesuradamente sem quereres e sem vontades. Desalento.

Quase querendo que o mundo acabe, que tudo acabe. Quase. E com ganas de me morrer em algum estado de desfazer, diluída de tanto que a alegria se ausentou em mim e de todas as coisas que fugiram junto. Enquanto a tristeza sentiu-se em casa, com endereço fixo e tudo. Tristeza em mim.

Paralisada num tempo que se fixa num “beco” entre o tempo da sabedoria e da insensatez, estou e não estou. E não me movimento para lugar nenhum. No aguardo de nada e sem seivas, não almejo. Tão sem vontade... Tão.

Antes, ainda extraia algum prazer da melancolia. Carregava um mórbido “gostar” da tristeza, que entremeava com meus anseios que já hoje me abandonaram. Tudo me tem abandonado. Abandonada.

A diva de mim encarquilhou e a menina de mim está paraplégica. Até o drama pretensioso, que me fazia, de certa forma, intensa, estanquiu-se. Se antes a alternância de sentires, me dava ao menos a possibilidade de momentos distintos, hoje oscilo numa temperatura entre o frio e o mais ou menos frio. Arraigado em mim. O frio.

Divido-me entre o esforço levantar-me para viver e a vontade de deixar para lá. Nem viver. Nem.

Contudo, é necessário se querer viver. É fundamental. Vital? 

Uma família eu tenho. Uma mãe e amigos. Tenho. E um lar para cuidar. Um trabalho eu também tenho. E roupas e alimentos. E gente que precisa de mim.
Só não tenho o experimento de estar viva. Sem gosto, apenas levanto-me todos os dias, e lá vou eu. Por precisão. Eu tenho.

Não que importa se eu gosto ou não do meu trabalho, se eu amo ou não minha família. Não é isso... Apenas que nada mais me arrebata nessa vida. Nada.

Sem motivação e sem encantamentos, nem sinto alegrias em lugar nenhum. Alegrias. Nem pequenas, nem grandes. Não me recordo mais de como era. Alegria.

Tento exercitar pensamentos bons, pois que por instinto de sobrevivência, eu busco sair desse Purgatório. Pensamentos...

Até a ilusão se foi, e sinto-me amarrada a um presente sem futuro, perpetuado numa mesmice envelhecida e desesperadoramente solitária.

A minha falta de vontade é tão, mas tão enorme que quase que se transforma em não estar. Tanto faz. Tudo tanto faz. Tão tanto faz...

Não me encontro em mim. Não estou em lugar nenhum aqui dentro.

Acho que roubaram minha alma.

Que coisa esquisita me tornei. O oposto de um fantasma.

Um corpo sem alma.

No gelo da vidraça



Algemada aos caixilhos da janela cerrada,
Estendes o azul crucificado do teu olhar
Na direcção da chuva que cai estrangulada,
Afogando a luz lamacenta de um sórdido luar.

Como um barco ancorado num cais sombrio,
Vês a vida esvoaçar nos varais da maré, lá fora;
Miragem que naufraga nas águas de um vazio
E no errante exílio desse sonho que demora.

Um triste abismo cerca as falésias desse miradouro
Onde invocas a dor de uma ausência que te cega
E, o alento, em apagadas cinzas se desagrega.

Derramando o dolente veludo do teu choro,
Embalas o grito da saudade que te abraça,
Desenhando corações partidos no gelo da vidraça.

2012



Sondo o futuro
com os olhos apocalípticos do profeta
bebendo a treva do caos
na malga de sangue
dos impérios desmantelados.

À minha volta,
tudo se desmorona
numa vertigem de sinos
e ânforas quebradas.

Todos os sinais se completam.
Todos os horizontes se fecham
no ponto sem retorno
do fim dos caminhos
e no clamor dos abismos
a retornarem ao pó e às cinzas.

Atrás do reposteiro escuro
do consumar dos séculos
desfolho, lentamente,
as ultimas folhas do calendário,
o derradeiro salmo dos condenados.
Entreartes 22

Entreartes 21

Entreartes 20

Jeremy Leach









Jeremy Leach é um jovem pintor oriundo da Nova Zelândia, com um conjunto de obras abrangendo os óleos, o acrilico e a produção "photoshop". As influências do mestre Boris Vallejo são notórias - a suavidade da pele e os contornos arredondados das personagens - mas a colocação dos motivos é genuina, estéticamente conseguida e bastante personalizada, sobretudo nos trabalhos a carvão.

Tatuagem de Fogo


Num murmúrio de uma perda incompreensível,
Goteja saudade de todas as tuas lembranças,
Molhando a terra ressequida da alma em espera...
E no silêncio assombrado de uma lentidão desesperadora
Rodam os ponteiros marcando o tempo de tua ausência...
Esvoaçam ao meu redor fragmentos de tuas promessas,
Sorriem à minha volta os acalantos de tantos antigos sonhos,
E prostram-se, cansadas, as vontades irresistíveis...

Lamentos tristes unem-se às alegrias passageiras
Nesse trajeto de escuridão que desfila
Diante das janelas de minha existência...
Filtram-se sonhos por entre os vitrais de minhas expectativas,
E minhas saudades transbordam da alma em chamas
No intervalo eterno que aguarda o passar do tempo,
Enquanto uma estranha calmaria se agita nervosa, em tocaia,
Sob o brilho plácido de meu oceano em irrefreáveis agitações...

Trago teu nome escrito na história de minha vida,
E tantas vidas tivesse eu, tantos seriam nossos reencontros,
Porque és minha oração, meu culto, minha religião,
És o cálice de onde bebo a vida,
És esse compasso inverossímil,
Ao redor de cujo centro giram todas as minhas conquistas,
Esse planeta-luz, que flui dos teus olhos,
Como um sol de inesgotável energia...

É por ti que vivo, quando teu sorriso derrama-se sobre mim,
É por ti que sigo, quando teu aceno me chama,
E é em ti que morrerei,
Trazendo no peito, como tatuagem de fogo,
Teu nome gravado no compasso de tantas melodias...
Por ti serão todos os meus dias,
E nos volteios do relógio, marcando o tempo através das eras,
Gotejará saudade de todas as tuas lembranças,
Molhando a terra ressequida de minhas eternas esperas...

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
Cap. 25 – Buscai e Achareis
2 – Olhai as Aves do Céu

6. Não acumuleis tesouros na Terra, onde a ferrugem e os vermes os comem e onde os ladrões os desenterram e roubam; - acumulai tesouros no céu, onde nem a ferrugem, nem os vermes os comem; - porquanto, onde está o vosso tesouro aí está também o vosso coração.

Eis por que vos digo: Não vos inquieteis por saber onde achareis o que comer para sustento da vossa vida, nem de onde tirareis vestes para cobrir o vosso corpo. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que as vestes?

Observai os pássaros do céu: não semeiam, não ceifam, nada guardam em celeiros; mas, vosso Pai celestial os alimenta. Não sois muito mais do que eles? - e qual, dentre vós, o que pode, com todos os seus esforços, aumentar de um côvado a sua estatura?

Por que, também, vos inquietais pelo vestuário? Observai como crescem os lírios dos campos: não trabalham, nem fiam; - entretanto, eu vos declaro que nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. - Ora, se Deus tem o cuidado de vestir dessa maneira a erva dos campos, que existe hoje e amanhã será lançada na fornalha, quanto maior cuidado não terá em vos vestir, ó homens de pouca fé!

Não vos inquieteis, pois, dizendo: Que comeremos? Ou: que beberemos? Ou: de que nos vestiremos? - como fazem os pagãos, que andam à procura de todas essas coisas; porque vosso Pai sabe que tendes necessidades delas.

Buscai primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, que todas essas coisas vos serão dadas de acréscimo. - Assim, pois, não vos ponhais inquietos pelo dia de amanhã, porquanto o amanhã cuidará de si. A cada dia basta o seu mal. (S. MATEUS, cap. VI, vv. 19 a 21 e 25 a 34.)

7. Interpretadas à letra, essas palavras seriam a negação de toda previdência, de todo trabalho e, conseguinte-mente, de todo progresso. Com semelhante princípio, o homem limitar-se-ia a esperar passivamente. Suas forças físicas e intelectuais conservar-se-iam inativas. Se tal fora a sua condição normal na Terra, jamais houvera ele saído do estado primitivo e, se dessa condição fizesse ele a sua lei para a atualidade, só lhe caberia viver sem fazer coisa alguma. Não pode ter sido esse o pensamento de Jesus, pois estaria em contradição com o que disse de outras vezes, com as próprias leis da Natureza. Deus criou o homem sem vestes e sem abrigo, mas deu-lhe a inteligência para fabricá-los. (Cap. XIV, nº 6; cap. XXV, nº 2.)

Não se deve, portanto, ver, nessas palavras, mais do que uma poética alegoria da Providência, que nunca deixa ao abandono os que nela confiam, querendo, todavia, que esses, por seu lado, trabalhem. Se ela nem sempre acode com um auxílio material, inspira as idéias com que se encontram os meios de sair da dificuldade. (Cap. XXVII, nº 8.)

Deus conhece as nossas necessidades e a elas provê, como for necessário. O homem, porém, insaciável nos seus desejos, nem sempre sabe contentar-se com o que tem: o necessário não lhe basta; reclama o supérfluo. A Providência, então, o deixa entregue a si mesmo. Freqüentemente, ele se torna infeliz por culpa sua e por haver desatendido à voz que por intermédio da consciência o advertia. Nesses casos, Deus fá-lo sofrer as conseqüências, a fim de que lhe sirvam de lição para o futuro. (Cap. V, nº 4.)

8. A Terra produzirá o suficiente para alimentar a todos os seus habitantes, quando os homens souberem administrar, segundo as leis de justiça, de caridade e de amor ao próximo, os bens que ela dá.

Quando a fraternidade reinar entre os povos, como entre as províncias de um mesmo império, o momentâneo supérfluo de um suprirá a momentânea insuficiência do outro; e cada um terá o necessário. O rico, então, considerar-se-á como um que possui grande quantidade de sementes; se as espalhar, elas produzirão pelo cêntuplo para si e para os outros; se, entretanto, comer sozinho as sementes, se as desperdiçar e deixar se perca o excedente do que haja comido, nada produzirão, e não haverá o bastante para todos.

Se as amontoar no seu celeiro, os vermes as devorarão. Daí o haver Jesus dito: "Não acumuleis tesouros na Terra, pois que são perecíveis; acumulai-os no céu, onde são eternos." Em outros termos: não ligueis aos bens materiais mais importância do que aos espirituais e sabei sacrificar os primeiros aos segundos. (Cap. XVI, nº 7 e seguintes.)

A caridade e a fraternidade não se decretam em leis. Se uma e outra não estiverem no coração, o egoísmo aí sempre imperará. Cabe ao Espiritismo fazê-las penetrar nele.