terça-feira, 2 de novembro de 2010

FINADOS





O que se escreve no mármore
dura muito e é duro de ler
porque é muita informação de despedidas
de vidas já vividas
de somas que redundam em nadas
num bilhete feito apenas de plumas


Lápide fria de branco pálido
que dentro reserva apenas lembranças
A alma já vagueia em outras esferas
no umbral escuro, na divina luz...
ou quem sabe à esse mundo retornou
na matéria que lhe foi escolhida
em outra vida a ser por ela vivida


Vai longe o dia de quadras repartidas
quando falava-se de dias seguintes
de compromissos inadiáveis
questões juradas como infalíveis
reconhecidas como concretas 
distantes do passeio da lua vaga


Sim, já longe vai o tempo que passou
Tempo não retorna, é findo
Como finda a vida que se esvai na morte
Mas a alma sempre imortal 
de pura substância espectral 
bela e sublime se eleva


Quantas mentiras adotamos no ato
quantas verdades nós rejeitamos
quantos amores passaram em branco
quantos suspiros por amores vãos
amizades que se romperam
diques que comportaram águas
sonhos que nunca completamos


E agora para onde vamos
Sós, com certeza, não estamos
A vida segue seu rumo
O passado não há como alterar-se
O futuro que está por vir, sim
constrói-se nesse presente


O sol que arde em tantas fotos
amarelecidas umas, novíssimas outras
letras com números de datas fixas
estórias de seres agora iguais 
que este sol arde intensamente
nas arestas e anjos caiados


Não, não chore pelo bem que perdeu
o reencontrarás um dia
na vida terrena, noutra vida
No plano espiritual,
onde são eternos em suas almas 
e se reconhecerão como irmãos

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