quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Terça-feira, Abril 28, 2009

Procuro-te



Procuro-te, no limiar da nossa janela,
com a hora do lobo [que alimentamos,
já corpulenta] a afoguear a garganta.

Nas mãos, a pequenez da distância
a derreter a manteiga [rubra e casta]
no pão que as nossas bocas semeiam.

Resisto às cortinas como o ouro
no fundo do oceano [sem estragos]
mas não ao dedo que tens na boca.

Vejo-te multiplicada em cada quadradinho
da janela, embaciado no avesso
pelo ar que ainda não respiro.

Amolecidos pelos óculos de Pessoa,
os teus lábios [chamejantes e assertivos]
declamam o espelho de ti no que escrevo.

Do teu olhar [que eu não vejo nem oiço, mas
sinto] não me bastam dois sorrisos nem o som
que a tua rouca voz rouba ao silêncio.

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