quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Terça-feira, Abril 21, 2009

Fado desafinado



Há muito que percebemos
que o que sempre procuramos é um dia
mais claro que o de ontem, um azul mais azul
do que o que temos e tudo, em nós,
a exalar felicidade. Enquanto isso não chega,
é à pouca sorte e aos outros que, sobranceiros,
endossamos as razões de tal desgraça.

Ainda não aprendemos a ser felizes
com o que temos e, preguiçosos, pouco ou nada
fazemos para que aconteça o que queremos.
Muito menos aprendemos
que os outros querem o mesmo, e que é em nós
e no acaso que eles vêem a raiz dos seus fracassos.

Crentes e infelizes, desafinados,
mas firmes e professorais, cantamos o fado
com um pé na fé da sorte à viola e com o outro
a coxear fora do ritmo, sentindo que estamos certos.
Porque errados, a destoar à guitarra da perfídia
e paralíticos, estão quase todos os demais.

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