sábado, 23 de outubro de 2010

Soneto



Soneto

Que suspensão,
que enleio,
que cuidado.

É este meu,
tirano Cupido?

Pois tirando-me enfim todo o sentido.

Me deixa o sentimento duplicado.

Absorta no rigor de um duro fado,
Tanto de meus sentidos me divido,
Que tenho só de vida o bem sentido.

E tenho já de morte o mal logrado.

Enlevo-me no dano que me ofende,
Suspendo-me na causa de meu pranto.

Mas meu mal (ai de mim!)

Não se suspende.

Ó cesse,
cesse,
amor,
tão raro encanto.

Que para que de ti não se defende.

Basta menos rigor,
não rigor tanto.

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