domingo, 24 de outubro de 2010

SONETO DE AMOR


Um pio percorre este vale onde respiro
Um milhafre plana no azul
Olhos nos olhos, ave e homem imperfeito
São de basalto negro os caminhos do sul

Carrego metade deste eterno céu
Na noite os luzeiros são estrelas
As sombras apenas uma parte de escuro
E as flores não são tão belas

Mas tu brilhas na noite
És firmamento onde mora uma constelação
Que marquei firme em rumo certo
No lado esquerdo, na janela para a ilusão

Ergui muros, calei dúvidas
Plantei saudades, colhi esperanças
Reguei a terra onde mora a incerteza
Soltei um grito, voaram no espaço incandescentes lanças

Soltei as mãos
Procurei a tua virtude na espuma
Construí um diadema de gotas de mar
Voei pela brisa sem pensar coisa alguma

Pintei as montanhas de carmim
Um melro-negro fez-me lembrar o branco
Procurei na paleta uma cor que havia perdido
Descobri que não tem cor o verdadeiro pranto

Descobri que nua és pura como a natureza
Que o teu sonho inundou o meu
Este crente não reza para afastar o pecado
Nem se veste na pele de ateu

Descobri que teus seios são Luas
O teu corpo, casa com mesa de afecto
Tua boca nascente de mil desejos
Teus olhos o começo de um chamamento

Ouvi teu chamamento em canto de pássaro
Abri os braços e ensaiei o voar
Subi o mais alto que pude
Enfeitiçado pelo teu chamar

Encontrei um ninho feito de fina bruma
Coberto por pétalas de azul flor
Fechei os olhos e brotou a poesia
Neste...Soneto de Amor

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