quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Se a Urbe Chorasse


I
Baixa e voluptuosa a música das aves
Cinge a alma - Pluma que se eleva e varre savana e selva.

Arroja-se a mulher
Em passo doble

Inquieta-se
De ausência
- ardor em pele alva -
Poema que não escreve, colado em si,
De Si Maior, in.vertida escala.

É cheia a voz
Docíssimos os alvéolos
Com que a abelha laboriosa
Tece e adula
Miríades, réstias latas de gestos
E de vontades tardias, E nelas se
Vangloria o verbo de alcançado
E nele se rasga
A voz gentil da areia crua
Na cor do Ouro contra O azul O sul ao largo, imensurável
E o profundo coral.

II
Troveja o céu e chove agora …

Soes em mim a chama O firmamento A linha de água
E distante
Na distancia equidistante
Mergulhando a meia légua
A fúria brava
E o cheiro pálido do louro e do jasmim.

Na fraga dos teu lábios
Bebo as horas madrugadas dos minutos
Por quanto Excalibur ao largo
Desembainha e empunha a lâmina
Se
Da pedra ascende
À meia-luz
Em cantos de delírios e triunfo
Amazona que
Cavalga em esporas o teu corpo.
Oh, insanas vagas de mar alto…


III
E das ondas incontidas absorvo agora sacrário néctar
Salso d’acre volátil vento já subido
do mais religioso pináculo.

E pende a árvore, nos ramos doídos - manso salgueiro
Sobre o ribeiro
A ouvir bem funda a voz inconstante da água…


Ah, meu amado se por nós agora
A urbe chorasse decantando de meus olhos
Pérolas ostras de mágoa

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