domingo, 24 de outubro de 2010

O IMPÉRIO DA BRUMA


Varre a ilha uma cortina de chuva miúda
A água aprisionada em mil gotas
Tal como as minhas mais profundas mágoas
Que em minha alma se encontram soltas

O Mar enlouqueceu
Ameaça galgar esta perdida ilha
O verde continua sorrindo
Ostentando a cor da eterna maravilha

Eterno é este nevoeiro gerado na noite
Por um deus colérico e sedutor
O mesmo que quando se cobre de Sol
Gera em cada passo o amor

Assaltou-me o sentimento
Soube que um amigo partiu por um celeste caminho
Um homem bom nunca morre
Só se afasta um bocadinho

E eu, neste palco
Pinto mil e uma emoções
Luzes, as pancadas de Molière
O aplauso, tantos sorrisos, contradições

Inquieta alma esta
Vivendo entre a o amor e a dor
Voando para além do sonho
Nas asas de um viajante Açor

Viajeiro das perdidas madrugadas
Navegante de barcos de papel
Preso aos brandais desta Nau da esperança
Afugento a fome com pão e mel

Mato a sede na saliva das tuas palavras
Tempero o sentir com o sal das tuas lágrimas
Recolho uma flor que eclodiu do basalto
Gerado num vulcão de sete chamas

Sete vezes, sete abraços, sete suspiros
Sete notas, uma balada de pasmo encanto
Uma lamparina a iluminar um santo
Sete pedras de incenso para o quebranto

E eu no meio deste desatino de vento
Faltaram-me as palavras sem coisa alguma
Caíram-me sete folhas à cabeça
Fui coroado o rei do...Império da Bruma...

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