quinta-feira, 28 de outubro de 2010

DESFOLHAR DO AMOR



Toda alfazema que exala
Do sabonete em desconstrução
Cada vez que somos vistos
De perfil ou de soslaio
A ilusão que seja mantida
Em plena luz, voeja, espaçada 
Do amor em tálamo coralino
Consoantes as róseas verdades
Do travesseiro ao pé da cama
Num enlaçado de suspiros
O amor pousa pepitas poéticas
Gozos diáfanos.


Todo odor, da alfazema 
ao frescor do hortelã
que de sua boca exala
e seu gosto deixa na minha
a vontade de mais um beijo
nos convida ao desejo
as carícias cada vez mais plenas
O amor vibra de suaves notas
aos tons mais graves 
de uma bela e harmônica sinfonia
Sensitivos em luzes e cores
resplandecendo em amores
somos pura luz que resplandece.


somos o que nunca planejamos 
mas quando planejamos não somos 
por isso a poesia é tão inconclusa 
o desvendar ainda nos surpreende
um poema que se entrega copioso
deixa que se revele o lado limpo
que todo poema pouco amarrotado
possui em cor, forma e conteúdo.


E assim nos desvendamos em palavras
nos perdemos em sons 
no poema que revela
palavras puras, palavras quentes
nem sempre só palavras
mas daquelas que ausentes
se resguardam em compor versos
Sentir é difícil de exprimir
condensar em parcas linhas
 o que extravasa o próprio ser.


Dura a nossa festa noite adentro
O mar ronronou seus delírios noturnos 
Neste bocadinho exposto de lençol
Num pecaminoso delírio exacerbado
O êxtase de dez valsas vienenses
Mãos que nos retiram as máscaras
Próprias dos inconfessáveis momentos 
Descritos em leveza e estrelas âmbar 
Ao adentrarmos a madrugada, o sol
Tinge a cortina de cores carnais
Seu sono busca meu peito e pede
Pelo contínuo toque de seda do beijo.


E quando tomados pelo sono do desejo satisfeito
adormecemos como anjos celestiais
Enrodilhados nossos corpos
aquecidos um no outro
dormimos o sono dos justos
nos braços do amor que nos envolve
Na penumbra do quarto
as cores do amanhecer que se anuncia
e nós enlevados à ele nos entregamos plácidos.

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