quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Daqui a mil anos



Daqui a mil anos,
o que pensaremos de nós?
Veremos mais o que vivemos
ou o fechar de olhos
aos amores que nos bateram à porta?
O tempo que transpirámos
a construir e a destroçar
ou o que perdemos a hesitar?

Daqui a mil anos,
será visível ainda o efeito
das nossas asas de borboleta?
Sentiremos vestígios
do impulso do nosso dente
na roda da engrenagem mandante?
Sentiremos, finalmente,
o que agora não sentimos?
Veremos a vida que não vivemos?

Daqui a mil anos,
do que falaremos nós?
Dos deuses que não existem
ou dos demónios que carregámos em vida?
Da beleza da alma
ou da intemperança do corpo?
De quem falaremos?
Dos bons e dos maus? Ou dos fracos?

Daqui a mil anos, vem ter comigo,
porque agora não te sei responder.
E hoje, apenas sei
que há uma verdade escondida
em cada coisa que vejo.

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