quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Daquela Que Vos Pariu a Todas

Linhas tortas, em cascata te compõem
Versos labiosos como línguas datadas
Olhos de peixes mortos na noite
Crivados de sonhos pedrados no desgosto

Sorrisos que não são
Desdenham a vontade
Cobrem-se as cores decompostas do branco
Em céus que não amanhecem, perdidos de pranto

Pergunto quantas fases tens tu
Umas vezes cheia, outras ninguém te vê
Mentes nos reflexos que inventas
Grávida de vida oculta no nada

E tu? Tu não te reconheces
Não és, não estás e nunca foste
A promessa do que não sabes ser

A crueldade é a tentação de tentar ver-se
No que nunca esteve
Resguardada no fel da inverdade
Daquela que vos pariu a todas

Sem comentários:

Enviar um comentário