domingo, 24 de outubro de 2010

CHEIO DE PENAS


Roda a vida em sua roda invisível
O mundo desperta na claridade da manhã
Um pio primeiro é pronúncio de canto
Uma boca solta uma palavra vã

O nevoeiro partiu no dia
Uma árvore solta os seus dourados presentes
Um ribeiro acolhe o cantarolar das águas
Um coração arroxa de repletos sentimentos

Esta ilha não tem fortuna
Trocou-a por um curioso mistério
Este irreal e intenso verde
Que inunda o olhar mais sério

Nesta ilha há um beijo na tua procura
Nesta ilha as pedras não têm idade
Nesta ilha as juras são lançadas à maresia
Nesta ilha o sonho é janela da verdade

Por isso e por muito mais
É feliz o cantador
Canta melodias feitas ao acaso
Tecidas dos fios da sua dor

Tear que range em protesto
Tecelão de fio branco e negro
O que guarda este manto de mágoa
Onde guardas este precioso segredo?

Onde poisam as gaivotas ao fim do dia?
Porque volta sempre esta suave maré?
Porque presenteia as pedras com colar de espuma?
Porque navegas à bolina sem olhar p'rá ré?

Porque me sinto tão longe do mundo?
Porque sei, sabendo, que perversa é esta viagem
Será que imaginei, imaginando-te?
Será que o teu sorriso é difusa miragem?

Sigo adiante, mesmo em contemplação
Sinto bater no peito mil saudades
Sinto a vida acolher-me em azul sorte
Sinto que fui criança em sete idades

E em sete vezes parti no chegar
Vi rezar na promessa muita alma em novenas
Meu coração chora no embalo do embora
Deito o corpo na noite, adormeço...cheio de penas...

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